8.6.20

Crítica: Clemency

Clemency
Imagem: DIVULGAÇÃO
Se tem algo que “Clemency” faz bem é mostrar como o sistema prisional pode destruir pessoas das mais diversas formas, seja da forma considerada clássica (no caso dos Estados Unidos, a pena de morte), ou de formas que apenas estão ligadas a essa porque há outras pessoas envolvidas.

No caso, a pessoa com maior envolvimento no filme dirigido e escrito por Chinonye Chukwu é Bernadine Williams (Alfre Woodard). Administradora da ala de condenados a morte em um presidio, ela enfrenta um caso difícil, no qual Anthony Woods (Aldis Hodge), foi culpado de um crime que não cometeu, foi condenado a morte por ele e por mais que apresentem recursos e provas, não conseguem reverter a condenação.

O estilo de Chukwu contar a história é ideal para que o filme funcione da maneira que a diretora e roteirista deseja, já que usar a secura como linguagem talvez seja a única forma de relatar aquela situação em específico. É através dela que vemos como as vidas ali entraram em colapso por causa do caso de Woods, mas principalmente a da protagonista.

Pois Bernadine se questiona o tempo todo se o que ela escolheu como profissão é o certo, o que a leva a se comportar de uma maneira na qual ela cria uma personalidade para conseguir cumprir as regras que o seu trabalho exige. O problema é quando essa personalidade assume a vida pessoal dela.

Que é justamente o que a performance de Woodard mostra tão bem. Desde a crise no casamento, até o alcoolismo e claro, o trabalho, tudo é exposto com segurança pela atriz que consegue discutir, junto com outros personagens do filme e o espectador, a necessidade da pena da morte e o direito que o sistema prisional acha que tem de matar ou não o outro.

A atriz aproveita a secura escolhida pela diretora para desenvolver sua personagem e aproveita também certas ferramentas que foram usadas por Chukwu, como os sons diegéticos (sons originados pelo ambiente do filme, ou seja, sem trilha sonora musical externa) e a fotografia sóbria, que se estende aos figurinos da protagonista, que são, em suma, brancos, cinzas ou pretos.

Essas cores são as únicas presentes no filme, o que mostra que a diretora queria focar nas atuações e não em alguma outra coisa que pudesse tirar a atenção do público da história e do debate que acontece durante as duas horas de projeção. Isso faz com que a única cena que tem cor no filme se torne emblemática dentro da obra pelo peso que carrega para a história e para a personagem principal.

Assim, “Clemency” consegue discutir um assunto importante ao mesmo tempo em que faz uma crítica ao sistema penitenciário estadunidense, crítica essa que serve para outros lugares do mundo, mesmo aqueles nos quais a pena de morte não existe.

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