27.7.20

Crítica: Harriet

Harriet
Imagem: Universal Pictures / DIVULGAÇÃO
Em um período que não conhecemos a própria história, um filme sobre Harriet Tubman e sua trajetória se torna ainda mais necessário, já que através da arte podemos adquirir conhecimento e criar empatia, pois esta é uma ferramenta para fazer as pessoas se colocarem no lugar das outras.

Se colocar no lugar de Harriet Tubman não é nem um pouco fácil, já que a trajetória dela é duríssima. Dirigido por Kasi Lemmons e co escrito por ela, junto com Gregory Allen Howard, o filme “Harriet” conta a história da personagem título, escrava, que consegue fugir da fazenda onde é obrigada a trabalhar e ao chegar em uma nova cidade e se reunir com outros escravos que fugiram, passa a ir em vários locais dos Estados Unidos para ajudar os que ainda estão presos a escaparem.


O filme escolhe por focar na história da Harriet e não na de Araminta (nome de batismo dela) e assim, durante as duas horas e cinco minutos de projeção, vemos a luta dela pela abolição total dos escravos e através dessa parte de sua trajetória, conhecemos o lado que a obra escolhe não focar.

Sem dúvida essa é a melhor forma de o público conhecer Harriet, já que a luta é o principal na vida dela e através dela que vemos a empatia que ela sente pelo seu povo, já que ela não se importa com nenhum obstáculo que possa surgir e só quer cumprir seu objetivo final.

Então vemos Harriet como uma personagem sempre insatisfeita e não há nada de errado nisso, já que ela está certa em se sentir assim, pois não importam quantos escravos tenham sido libertados, enquanto tiver um preso, vale a pena lutar por ele, não importa onde esteja.

Essa insatisfação fica clara na atuação de Cynthia Erivo, que constrói Harriet como uma pessoa aguerrida e com uma vontade imensa de lutar independente da forma que seja. É possível notar isso através do olhar da atriz e também no jeito de falar, que não é agressivo, mas sim, direto, sem perder tempo no que quer dizer.

Talvez essa objetividade tenha servido de inspiração para a fotografia e montagem do filme, já que a montagem usa os cortes secos para dar ritmo a obra e não muda a ordem temporal do filme, fazendo a história sempre seguir em frente, o que não é frequente em filmes de época, que usam mais a montagem alternada, de forma a ligar várias fases da protagonista.

Já a fotografia usa tons o mais próximo do natural possível, seja o azul noturno que domina a tela nas cenas noturnas e externas, ou o amarelo meio alaranjado do amanhecer, que é predominante nas cenas diurnas e externas, ou seja, a fotografia não inventa muito, mas é funcional e alguns quadros do filme são de fato bonitos, principalmente os diurnos.

Assim, “Harriet” deixa claro qual é seu objetivo e a história que deseja contar e o faz bem, sendo um filme funcional, que serve para os que não sabem quem é Harriet Tubman a conhecerem, reconhecerem como a luta dela foi necessária para que os negros fossem libertados e a abolição conquistada nos Estados Unidos.

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