3.8.20

Crítica: Alice Guy-Blaché - a história não contada da primeira cineasta do mundo

Alice Guy-Blaché - a história não contada da primeira cineasta do mundo
Imagem: DIVULGAÇÃO
Logo no começo de “Alice Guy-Blaché: a história não contada da primeira cineasta do mundo”, vemos uma série de pessoas bem sucedidas na indústria do cinema responder a mesma pergunta, feita pela diretora e roteirista Pamela B.Green, “você conhece o trabalho da diretora Alice Guy-Blaché?”, no que a maioria das respostas foi negativa.

Entre essas pessoas tinham nomes como os de Julie Delpy (atriz conhecida pela trilogia Before, de Richard Linklater), Patty Jenkins (diretora de Mulher Maravilha), Peter Bodganovich (um dos cineastas da Nova Hollywood) e até um vencedor recente do Oscar (Não merecidamente que fique claro), Peter Farrelly.

Isso mostra um pouco de como a história do cinema foi contada por um mesmo grupo de pessoas, que escolheu diminuir o papel das mulheres que fizeram o cinema o que ele é hoje. Dessas mulheres, Alice Guy-Blaché foi a primeira e em 1896, um ano após a primeira exibição cinematográfica feita pelos Lumiere, ela dirigia seu primeiro filme.

É isso que o documentário narra, a história da pioneira do cinema que nunca foi contada da forma própria e foi esquecida durante muito tempo, seja porque muitos dos mais de mil filmes nos quais ela trabalhou foram perdidos por uma série de circunstancias ou porque os historiadores quiseram que fosse assim.

Green traça uma linha temporal de pesquisa que busca contar a história de toda a carreira de Guy-Blaché, desde quando ela foi secretária na Gaumont (que se tornou uma grande empresa por causa do sucesso da diretora), até a parte final de sua vida, onde ela teve que brigar para ser reconhecida como uma pioneira e até mesmo para poder ter os filmes que fez consigo.

Para isso, Green não usa apenas entrevistas com diversas pessoas envolvidas com cinema e história, mas também usa o tempo no qual Guy-Blaché trabalhou para contar como Hollywood foi criada, porque a indústria norte-americana é o que é, de forma que o filme se torna não apenas uma biografia da primeira pioneira, mas também um documento histórico do cinema.

Claro que tanto a história do cinema, quanto a história de Guy-Blaché se misturam porque não a toa, a diretora francesa foi uma pioneira, porém, Green conta essa história de forma tão natural, que é fácil entender os motivos de Guy-Blaché ter se tornado quem se tornou.

Essa naturalidade vem de um lema que a pioneira usava e que Green obedece fielmente, “Seja natural”. A frase que ficava no estúdio fundado por Guy-Blaché continua sendo tão real quanto antes e talvez, seja ainda mais necessária atualmente do que foi naquele tempo.

Felizmente, Pamela B.Green foi natural para contar a história do talento natural de Alice Guy-Blaché, a primeira cineasta e possivelmente, a primeira diretora que existiu e tudo isso devido ao talento, natural, claro, de Alice Guy-Blaché, porque ninguém dirige, escreve e produz mais de mil filmes a toa.

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