20.7.20

Crítica: Os mortos não morrem

Os mortos não morrem
Imagem: Universal Pictures / DIVULGAÇÃO
Jim Jarmusch é um diretor que sempre gostou de fazer filmes dos mais variados gêneros e atingiu sucesso com isso, desde road movies – Mais Estranho que o Paraíso -, obras voltadas para o filosófico como “Paterson” e até filmes de samurai, como Alpha Dog.

Assim, é interessante como “Os mortos não morrem” é uma espécie de união entre os gêneros preferidos de Jarmusch, como o terror, a comédia e road movies. Acompanhamos a rotina da cidade de Centerville, quando após a mudança no eixo de rotação da terra, os mortos saem dos túmulos e passam atacar os vivos. Os policiais Cliff (Bill Murray) e Ronnie (Adam Driver) precisam proteger a cidade do ataque.

Para isso, eles contam com a ajuda de Mindy (Chloe Sevigny) também policial, Zelda (Tilda Swinton) dona da funerária local, Hank (Danny Glover) e Bobby (Caleb Landry Jones). Devido a essa variedade de personagens e pelo fato de a cidade receber os turistas Zoe (Selena Gomez) e seus dois amigos, vemos esse aspecto de road movies, que busca contar várias histórias integradas ao núcleo principal.

O roteiro busca estabelecer esses personagens integrados ao núcleo principal e consegue graças ao elenco competente que Jarmusch tem em mãos, além da montagem ajudar no ritmo e dar tempo igual de tela aos núcleos. Porém, os diálogos do filme prejudicam a obra no quesito de imersão.

Pois as conversas entre as pessoas são bobas e repetitivas. Em dado momento, as falas presentes no diálogo são as mesmas e isso prejudica o andamento da história, principalmente devido a muitas das falas serem metalinguísticas – o filme falando do próprio filme – e como isso é mal estabelecido, o terror e a apreensão que poderia ser gerada se perde.

Mas, se há algo bom nesses diálogos bobos é que eles são engraçados (dadas as devidas proporções, claro) e as piadas além de serem simples e funcionarem bem, fazem certas críticas a aspectos sociais, por causa, em sua maioria das falas de Bill Murray (no caso das piadas simples), ou no caso dos zumbis (no caso das críticas), já que esses últimos apenas falam o nome do que gostavam na vida passada, o alcoólatra fala a bebida preferida, o que mexe no celular o tempo todo fala “wifi” e assim vai.

E, devido a isso, não é de todo fora do comum refletir sobre o nosso comportamento perante a vida e como nós, de certa forma, também somos zumbis e usar a comédia para abordar esse assunto é algo que Jarmusch faz muito bem durante as 1h40 de projeção.

Assim, “Os mortos não morrem” poderia ser um filme melhor se tivesse diálogos melhores e não tentasse estabelecer uma metalinguagem tosca, mas, mesmo com isso, o novo filme de Jim Jarmusch entretém e é uma obra que vale a pena ser vista, mesmo que seja esquecida logo após assistirmos.

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