13.7.20

Crítica: Abe

Abe
Imagem: DIVULGAÇÃO
Está claro desde o começo de “Abe” que o filme não tem a intenção de reinventar a roda ou algo parecido com isso em uma versão cinematográfica. O trabalho dirigido e escrito por Fernando Grostein Andrade tem o objetivo de entreter o público por quase uma hora e meia de duração.

Sendo assim, somos apresentados ao personagem título, Abe (Noah Schnapp, o Will de “Stranger Things”). Membro de uma família construída com base na miscigenação, no caso a mãe é o lado judeu e o pai é o lado muçulmano, o menino acaba de completar 12 anos e adora cozinhar. Após uma pesquisa na internet ele descobre o chefe Chico (Seu Jorge), brasileiro que tem uma banca de acarajé em Nova Iorque e vai até ele, na busca de aprender mais sobre gastronomia.

O filme tem a estrutura muito clara de uma obra que apenas deseja entreter, de forma que há cenas para rir e para chorar, o que reforça o clichê de um final inevitavelmente feliz que o público, com dez minutos de projeção, sabe que vai acontecer. O atrativo está mesmo em como o protagonista usa a comida para tentar unir sua família, que, historicamente falando, são inimigas.

Assim, entre um jantar com a família toda reunida e outros com as famílias separadas em suas respectivas seções, Abe tenta se relacionar com seus parentes usando a gastronomia como ponto de partida e em alguns casos é bem sucedido e em outros não, porém, devido ao que já foi dito nesse texto, o público descobre o resultado disso muito rápido.

Por mais que o clichê prejudique a obra, mesmo que este tenha sido intencional, o filme funciona porque é leve e é interessante vermos como o personagem principal usa a gastronomia para tentar unir pessoas que são impossíveis, ou ao menos quase impossíveis de se unirem em um ambiente verossímil. Com essa leveza, a tentativa do jovem não parece forçada.

E se não parece forçada, é porque Noah Schnapp faz a curiosidade de Abe pela gastronomia e a vontade de aprender deste algo puramente genuíno, de forma que apesar de cortes rápidos mesmo quando a cena vai mostrar o prato pronto, passem não de todo despercebidos, mas não sejam tão prejudiciais como poderia ser em outras situações fílmicas.

Esses cortes acontecem em dois tipos de ocasião, o primeiro é quando vemos Abe usando as redes sociais, as notificações aparecendo na tela, as fotos, as amizades virtuais que ele tem e a segunda situação é aquela - sendo que essa ocasião se repete - na qual ele está na cozinha aprendendo com Chico e mesmo quando ele faz algo que representa uma evolução clara, o corte se mantém rápido.

Assim, “Abe” é um bom filme apesar de várias decisões questionáveis cinematograficamente, por ser uma obra leve que cumpre o objetivo de entreter sem dificuldades, graças a uma estrutura já utilizada várias vezes anteriormente e que continua sendo usada por ser uma formula de sucesso.

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