21.8.20

Fantasia Festival - Crítica: Clapboard Jungle

Clapboard Jungle
Imagem: Fantasia Festival / Stills

Texto que faz parte da cobertura da edição 2020 do Festival Fantasia

Critic who is part of Fantasia Festival 2020 coverage


Apesar de a frase “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” fazer sentido e ser um pensamento relativamente correto é só isso, relativo e talvez seja até mais do que relativo, talvez seja um privilégio, pois na prática, para fazer um filme precisa de muito mais do que isso.

Nada contra Gláuber Rocha e contra a talvez frase mais famosa dele, porém, se tem algo que “Clapboard Jungle” mostra é como a câmera e a ideia não bastam, os cineastas precisam de dinheiro e precisam saber vender seu filme, principalmente os realizadores independentes, para quem a situação é ainda mais difícil.

Dirigido por Justin McConnell, acompanhamos o próprio diretor enquanto esse luta para fazer seus filmes e projetos saírem do papel. Ao mesmo tempo em que vemos uma série de entrevistas com diretores, diretoras e profissionais técnicos independentes (ou que já foram independentes), que falam das dificuldades de conseguir financiamento. As fontes vão de Guillermo Del Toro (vencedor do Oscar por "A Forma da Água") a Paul Schrader (roteirista de Taxi Driver).

O filme fala sobre as dificuldades de fazer uma obra através das pessoas que mais tem dificuldades de fazer uma obra e é nessa batalha que a obra tem seu encanto, pois vemos detalhes dentro dos mais diversos aspectos e são coisas que geralmente as pessoas (com exceção dos envolvidos) não conseguem ver ou nem se dão conta de que acontece.

Esses detalhes vão de eventos mercadológicos que acontecem em festivais (como a Marché du Film em Cannes, o Frontieres no Fantasia e outros) até mesmo ligações e planejamento de material para conseguir vender o filme, o que faz com que o público valorize mais a arte ou ao menos pense com mais profundidade em como o filme que está vendo nasceu.

De forma que vemos como o diretor e diretora independente precisa ser tudo e saber de tudo um pouco, essas pessoas não podem ser apenas diretores, tem que ser vendedores de seus próprios filmes, saber um pouco de leis, de como funciona o sistema de financiamentos, qual o lugar correto para vender o seu filme e várias outras coisas.

Porém, também vemos como todo esse pessoal, de diretores, elenco, equipe técnica e produção, ama cinema e ama fazer cinema, apesar de todas as dificuldades que enfrentam ao longo do caminho. É admirável ver como nós devemos muito a essas pessoas que passam por diversos obstáculos para que nós, público, consigamos ver um filme no sábado a noite.

“Clapboard Jungle” é um filme que faz com aquele que não conhece os detalhes do mercado entre um pouco nesse mundo e faz com que aquele que já conhece um pouco relembre porque ama cinema e porque luta o que luta para conseguir fazer um filme. As vezes é necessário lembrar esse tipo de coisa.

Texto que faz parte da cobertura da edição 2020 do Festival Fantasia

Critic who is part of Fantasia Festival 2020 coverage

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