22.8.20

Fantasia Festival - Crítica: Life: Untitled

Life: Untitled
Imagem: Fantasia Festival / Stills
Texto que faz parte da cobertura da edição 2020 do Festival Fantasia

Critic who is part of Fantasia Festival 2020 coverage

Acredito que poucos filmes debatem a prostituição como “Life: Untitled” (Vida: sem título) faz, pois a obra trata o assunto da forma como deve ser tratado, sem glamourização ou espetacularização, mostrando para o público como esses tipos de ambientes são abusivos para as mulheres que deles são obrigadas a participar.

O filme dirigido por Kana Yamada conta a história de Kano, uma jovem que após se ver obrigada a entrar nessa área, desistiu estando no meio dela. Com uma série de contas para pagar e precisando do emprego, ela vira auxiliar administrativa do local onde trabalha. Pelo ponto de vista dela, acompanhamos as histórias das outras mulheres que estão ali.

Por mais que seja disposta como uma história de ficção, sabemos que tudo que é contado no filme é real, o que dá a obra um ar documental. Isso acontece pois o espectador conhece a sociedade em que vivemos e é capaz de saber o que vai acontecer em certos momentos por pura dedução.

Isso não é ruim, por mais que em um primeiro contato com a obra possa parecer, até porque, a intenção da diretora é justamente mostrar algo real de uma maneira não romantizada, logo, o espectador saber o que vai acontecer em um momento ou outro é algo inerente a história e pode até ser considerado necessário devido ao ar documental citado.

Esses momentos não se concentram apenas em Kano, por mais que ela seja a protagonista. O filme se aprofunda em algumas das outras mulheres que ali estão e dá a elas uma história ou ao menos um plano de fundo, o que causa no espectador a empatia para que a imersão no filme funcione.

As histórias em questão não têm a mesma profundidade da história da protagonista e pela forma que essas são contadas, era a intenção da diretora que as profundidades e desenvolvimentos fossem similares. Ao perceber isso, também vemos certos problemas de ritmo, por mais que o filme não seja arrastado em nenhum momento.

Se a obra não é arrastada durante as suas uma hora e quarenta minutos de duração é porque a diretora sabe como tratar o assunto que se propôs a debater. Isso ajuda até mesmo na falta de profundidade citada, pois, como o próprio título diz, acompanhamos vidas sem título, não devido à vontade daquelas mulheres e sim porque elas foram obrigadas a fazer aquilo.

Logo, Yamada consegue cumprir o objetivo que tinha, passar a mensagem que propôs sem problemas e principalmente, consegue debater um assunto que é pouco discutido na sociedade como um todo. “Life: Untitled” deixa a sensação que poderia ser melhor, mas ainda assim passa longe de ser uma obra que não vale a pena.

Texto que faz parte da cobertura da edição 2020 do Festival Fantasia

Critic who is part of Fantasia Festival 2020 coverage

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