16.8.20

Fantasia Festival - Crítica: La Dosis

La Dosis
Imagem: Fantasia Festival / Stills

Texto que faz parte da cobertura da edição 2020 do Festival Fantasia

This critic is part of Fantasia Festival 2020 coverage

Se tem algo que “La Dosis” (A Dose) faz bem é abordar a hipocrisia que reside em cada um de nós, até porque, todo mundo já foi hipócrita em diferentes níveis, alguma vez na vida, então, atitudes assim não são inéditas para a sociedade como um todo.

Dirigido e escrito por Martin Kraut, Marcos é o protagonista hipócrita desse filme. Enfermeiro em um hospital há 20 anos, ele mata pessoas que estão em estado terminal e chama isso de eutanásia (eutanásia é quando o processo é feito por vias legais em países que autorizam isso). Após a chegada de Gabriel, outro enfermeiro, a rotina de crimes de Marcos muda.

E vemos, a partir disso, o suspense do filme ser construído na possibilidade com que Gabriel, recém chegado a enfermaria, faça exatamente a mesma coisa que Marcos faz com os pacientes, por mais que tenham perfis completamente diferentes, o que gera uma obsessão do profissional mais velho em relação ao mais novo.

Essa obsessão é reforçada com tons sóbrios e presença de trilha sonora nas conversas particulares entre os dois enfermeiros. Porém, o filme mora no fato de vermos Marcos transtornado por uma mudança de rotina e por sentir ódio porque acha que outro enfermeiro está fazendo o que ele quer em seu lugar.

O que faz o personagem agir com superioridade perante a Gabriel e a toda equipe de enfermagem. Essa superioridade é inexistente, pois na verdade, Marcos tem inveja de Gabriel, já que o jovem é tudo o que ele não é e, além de tudo, isso reforça que Marcos não está preocupado com os pacientes, mas na verdade, se importa mais com a morte deles, principalmente quando ele é o motivo causador desta.

Vemos que a obra cria suspense em cima disso e na medida que a expectativa vai sendo criada no espectador, o filme vai se desenvolvendo e caminha para um clímax que não é o esperado pelo público devido a não ser uma daquelas experiências explosivas e chocantes, porém, o filme cumpre e realiza o suspense que criou ao longo de sua uma hora e meia de duração.

Isso faz sentido dentro do filme pois toda a obra é sóbria e contida, a direção de Kraut faz com que o filme seja minimalista no que diz respeito a ação, mas, ela existe e está presente na obra, dentro dos personagens principais e claro, na hipocrisia e prepotência do protagonista.

Assim, “La Dosis” é um filme interessante, que se torna um estudo de personagem ao longo de sua duração e faz com que o público reflita sobre a hipocrisia que inegavelmente existe em cada um de nós.

Texto que faz parte da cobertura da edição 2020 do Festival Fantasia

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