25.8.20

Fantasia Festival - Crítica: Time of moulting

Time of moulting
Imagem: Fantasia Festival / Stills
Texto que faz parte da cobertura da edição 2020 do Festival Fantasia

This critic is part of Fantasia Festival 2020 coverage

Se pensarmos no significado da palavra “Moulting”, vemos que ela serve como um termo que significa “perder as penas”, o que pode servir para diversas coisas, seja no sentido literal e estrito do que ela quer dizer e no sentido metafórico, que sem dúvida fala de crescimento.

Logo, “Time of Moulting”  dirigido e escrito por Sabrina Mertens, fala exatamente sobre isso, através de Stephanie, sua protagonista. A jovem adolescente mora com os pais e é impedida constantemente por eles de crescer, o que a faz se comportar de forma a causar pequenas rebeliões. 

Essas rebeliões são internas, como a estrutura minimalista do filme deixa bem clara. A fotografia sóbria, apesar de clara, os sons que são em sua maioria originados do ambiente no qual a obra se passa (a casa onde a família vive), as roupas que os pais e Stephanie usam, tudo remete ao minimalismo, onde a história dá o mínimo para o espectador.

Assim como a vida (ou as circunstâncias dela) dão o mínimo para Stephanie, que luta diariamente contra uma solidão aparentemente indestrutível, ao mesmo tempo em que precisa se livrar de diversas imposições de sua família, desde a casa extremamente bagunçada, até o machismo de seu pai, que a trata como um objeto do qual ele vai se livrar no futuro através do casamento.

O ambiente acumulativo segura a jovem, que se vê em um ciclo que se repete, principalmente, por incrível que pareça, por sua mãe, que não é uma pessoa machista, mas que a trata como uma menina e com certeza isso explica os desenhos eróticos que Stephanie faz e a sua fascinação pelas ferramentas que o avô dela usava para matar porcos.

Porque são essas ferramentas que transmitem para ela uma sensação de liberdade e os desenhos são o modo dela de se expressar em meio a tudo o que acontece (ou a tudo que não acontece) dentro de sua casa, da qual ela não sai nem por um momento.

Ou sai, mas o filme não mostra Stephanie no mundo externo, há citações que indicam que ela saiu, como, por exemplo, a cena onde ela fala com a mãe sobre a escola (ainda criança), mas vemos a jovem apenas em sua casa e raramente a vemos nas áreas externas do terreno onde vive.

Então vemos um ciclo, como já dito brevemente e “Time of Moulting” faz questão de reforçar esse ciclo a cada quadro e a cada cena que constrói, assim como os filmes de Aki Kaurismaki fazem tão bem. Por mais que seja uma obra convencional, é um bom retrato da solidão e de uma tentativa de escapar dessa.

Texto que faz parte da cobertura da edição 2020 do Festival Fantasia

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