16.11.20

Crítica: On the rocks

 

On the rocks
Imagem: DIVULGAÇÃO 

Bom, que Sofia Coppola é uma boa diretora e roteirista todos sabem, porém, não dá para negar que “On the rocks” é um filme comum em basicamente tudo aquilo que se propõe. A história é a de sempre, independente do final, a cidade é a mesma que filmes do gênero costumam usar e a estrutura filmica é também igual a de filmes do gênero.

Ou seja, o que o espectador assiste é algo previsível, porém, graças a Felix (Bill Murray), Laura (Rashida Jones) e Dean (Marlon Wayans) o filme se torna divertido. Acompanhamos a história de Laura quando esta desconfia que Dean, seu marido e pai de suas duas filhas, está traindo ela. Para descobrir a verdade, ela e o pai, Felix, passam a investigar.

A jornada é divertida graças aos personagens, que conseguem transmitir para o público justamente aquilo que a diretora queria, uma leveza apesar de tratar de um assunto bem sério. Na medida que o filme vai se desenvolvendo, percebemos essa leveza e acabamos nos divertindo com a história.

Porém, a história não é divertida, na verdade, é uma história bem triste. Não apenas por se tratar de uma suspeita de adultério ou de usar basicamente o filme todo usar uma cor que costuma representar a tristeza (o azul), mas principalmente porque vemos como Felix afetou a filha de diversas formas, apenas por ter sido um mal marido para a mãe dela.

Não apenas mal marido, mas também uma má pessoa em uma série de pontos, o que não mudou depois que ele envelheceu. Vemos que ele é sim, muito inteligente, que conhece uma série de culturas e que é bom no seu trabalho, porém, vemos que ele reproduz o machismo inerente a todo homem e que não se esforça para mudar isso.

Mas, você pode pensar “ainda assim ele diverte”, sim, de fato, mas isso se deve ao talento de Bill Murray e não nega o fato de que o personagem que ele interpreta é machista. É só reparar em como ele paquera todas as mulheres (com exceção da filha) que encontra no decorrer da obra (a garçonete, a professora de balé da neta e por aí vai), como se mulheres fossem apenas para isso.

Ao menos, Coppola faz de Laura uma pessoa que o confronta no que diz respeito a isso e claro, se a relação entre os dois e a química em tela funciona, isso se deve principalmente a Rashida Jones, que com seu ótimo timing para mudar de comédia para drama, consegue oscilar entre um e outro com perfeição, sabendo quando ser séria e quando ser levemente engraçada.

Porque é aí que está, “On the rocks” é um filme que oscila entre gêneros e entre discussões. Se a obra é divertida apesar de tratar de um assunto sério, ela apenas consegue tratar desse assunto sério e passar uma mensagem válida devido ao talento de seu elenco e não por outros aspectos ditos mais técnicos que envolvem o cinema.

Ou seja, é um bom filme, mas a possibilidade do espectador esquecer dele logo após terminar de assistir é bem alta.  

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