6.8.21

Fantasia Festival: Wonderful Paradise

Wonderful Paradise
Imagem: DIVULGAÇÃO

Texto que faz parte da cobertura da edição 2021 do Festival Fantasia

This critic is part of Fantasia Festival 2021 coverage

As vezes tudo o que precisamos é de uma festa que não sabemos como começou e não sabemos como vai terminar, de maneira que nos esqueçamos de onde estamos e principalmente, de como chegamos até ali, naquele paraíso construído de forma coletiva e, porque não dizer, natural.

Akame, a protagonista de “Wonderful Paradise”, dirigido por Masashi Yamamoto, pensa exatamente assim quando o auge da ruina de sua vida chega. A casa onde sempre viveu precisa ser vendida porque seu pai não consegue pagar as dívidas, para se despedir do local que marcou sua história e abrir uma nova fase, ela decide dar uma festa e através de um tweet viralizado, pessoas dos mais diversos tipos aparecem na casa.

Por mais que sejam de diversos tipos, todos os presentes na festa tem a necessidade de uma nova fase, assim como Akame e muito por isso, ela se deu bem com aqueles desconhecidos logo de cara, pois todos eles estão em momentos de mudança, uns para a melhor e outros para a pior, como, por exemplo, o casal prestes a ter sua cerimônia de casamento e o irmão mais novo da protagonista percebendo que pode fazer amigos, isso no lado bom da coisa.

No lado ruim, temos o próprio pai de Akame, cada vez mais endividado e a tia dela, solteira e carente de afeto a ponto de fazer loucuras para ter uma vida amorosa relativamente bem sucedida, mas, claro, o rapaz que é um dos responsáveis pela mudança, que tem inveja do seu companheiro de trabalho, justamente por ele ter conseguido um amor, mesmo que casual.

Essa união de sentimentos em um mesmo espaço, é algo que “Wonderful Paradise” faz muito bem e que é a essência de uma festa, pessoas diferentes, com problemas diferentes, vidas diferentes e em situações diferentes, unidas em um objetivo comum de se divertirem cada uma do seu jeito, mas em um mesmo local e se conhecendo na medida do possível.

Levando em consideração que estamos em pandemia (eu espero que ela tenha acabado quando alguém no futuro estiver lendo esse texto), festas como a idealizada por Yamamoto passam, além da inerente sensação de diversão, um sentimento de nostalgia, em graus maiores para quem ama festas ou em graus menores para quem apenas sente saudade de uma vida mais externa.

É legal repararmos como há pouquíssimas telas dentro do filme. Os personagens mal usam celular (por mais que os tenham e usem as vezes), eles estão ali para se divertir um com o outro, com as pessoas ali presentes e não apenas para realizar uma postagem em rede social com o objetivo de passar a impressão de que estão se divertindo. O pouco uso das telas torna a diversão orgânica e claro, não há nenhum problema em se fazer uma postagem quando se está em uma festa, em um show, ou em algum outro lugar qualquer, o problema é quando isso é substituto da diversão. Mas, como diversão é algo relativo e tédio é algo que pode ser apaziguado com um celular, não há mesmo nenhum problema.

Cada pessoa tem um paraíso diferente no fim das contas e mostrar vários desses dentro do terror em 1h30, é o maior mérito da obra tema desse texto.

Texto que faz parte da cobertura da edição 2021 do Festival Fantasia

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