28.1.22

IFFR 2022: The King of Laughter

The King of Laughter
Imagem: DIVULGAÇÃO

Texto que faz parte da cobertura da edição 2022 do Festival de cinema de Rotterdam

This critic is part of IFFR 2022 coverage

Acho inegável como uma figura tal qual Edoardo Scarpetta é interessante, por mais que não seja surpreendente dentro da arte como um todo. Um ator muito bem-sucedido, pai ausente para três filhos que ele nem mesmo assumiu, acusado de plágio ao parodiar uma peça dramática de sucesso.

Essa é a história de The King of Laughter, dirigido por Mário Martone e onde Scarpetta é interpretado por Toni Servillo. Acompanhamos a briga jurídica do ator para provar que não plagiou peça alguma, ao mesmo tempo acompanhamos suas diversas questões familiares.

Talvez a maior questão a ser abordada seja a do não desenvolvimento de ideias construídas pelo filme. Muitas vezes, ficamos confusos entre o principal ponto da obra, se é o teatro e como este é presente na vida da família Scarpetta ou se é a questão do plágio ou não de Edoardo. O não aprofundamento, a falta de foco entre uma coisa e outra, é prejudicial para o andamento da obra.

Se levarmos em consideração a duração do filme (2h12), é triste como temos o tempo para o foco necessário nas duas ideias principais, mas não existe um fio condutor direcional para dar vida a esses pontos. O único fio estável na obra é a atuação de todo um bom elenco, mas principalmente de Toni Servillo.

O veterano consegue imprimir a Scarpetta a personalidade multifacetada necessária ao personagem, por mais que ele não tenha nada de complexo ou surpreendente em muitos aspectos, como, por exemplo, ser um pai ausente e trair a esposa. Há vários homens assim em diversas áreas, logo, convenhamos que isso não é exatamente algo chocante, é algo que precisamos ver como errado.

Essa função fica a cargo de seus filhos, que sabem como tudo ali deveria ser tratado como algo estranho, pois Scarpetta faz questão de envolver seu adultério no próprio teatro, é como se nada fosse escondido, apenas um cenário de mais uma peça para as pessoas não participantes dela darem risada e darem risada com Scarpetta do que ele faz com os filhos não assumidos e com sua esposa.

Ver isso pelo tempo já citado, é meio cansativo, devido ao não foco em uma ideia (também já citado). Os planos memoráveis do filme estão nas peças e nas encenações, principalmente a inicial, onde entendemos o peso de Scarpetta para o teatro e a influencia de sua fama, além de vermos como todos os campos de sua vida estão unidos em um lugar só graças a seu esforço.

Simultaneamente, vemos nessa cena inicial, o teatro e as famílias de Scarpetta interagindo, o amor pelo ofício e a raiva carregada pelo ator devido a importância que seus filhos mais velhos não dão ao teatro e, claro, vemos uma ideia, um caminho promissor a ser seguido, mas que tem como fim o esquecimento no meio de trajetórias e escolhas confusas.

Não vou ser pedante ao falar que Mario Martone poderia ter tomado outros caminhos, porque cada um sabe o que faz e escrever sobre algo é muito mais fácil do que fazer esse algo. Porém, é impossível para mim não pensar no filme que The King of laughter poderia ser e não é. 

Texto que faz parte da cobertura da edição 2022 do Festival de cinema de Rotterdam

This critic is part of IFFR 2022 coverage

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