6.2.22

IFFR 2022: Cantos de um livro sagrado

Cantos de um livro sagrado
Imagem: DIVULGAÇÃO

Texto que faz parte da cobertura da edição 2022 do Festival de cinema de Rotterdam

This critic is part of IFFR 2022 coverage

Acho bonito como é possível se inserir na história de um país através do cinema. Confesso não fazer ideia do que foi a Revolução de Veludo, até que assisti ao curta “Cantos de um livro sagrado”, dirigido por Cesar Gananian e Cassiana Der Haroutiounian, dois diretores brasileiros de descendência armênia que decidiram relatar alguns pontos que envolveram a revolução em seu curta.

Digo “relatar alguns pontos” pois eles não têm nenhuma intenção de contar a história da revolução, eles focam muito mais na discussão dos efeitos dela nas pessoas e em como isso pode alterar o universo de cada um dos habitantes da Armênia. Não à toa a escolha em estruturar o curta em cantos.

Cinco cantos, cinco partes, que vão do discurso do líder político da revolução, Nikol Pashinyan, passa pelo processo de revelar fotos analógicas, por uma discussão entre três idosos e uma troca de cartas entre uma matemática e um físico. As pessoas são sempre o sal, o motor das mudanças políticas, independente do lugar onde essa mudança se passe e independente dessa alteração no cenário ser positiva ou negativa, as pessoas estão sempre diretamente envolvidas em tudo.

Porque são elas que fazem a coisa girar e mudam o mundo, seja na Armênia ou no Brasil – o desfile da Rosas de Ouro assume um caráter interessante no curta – as trocas promovidas a cada mudança, a cada caminho seguido é algo que ocorre todos os dias e mesmo que não as vejamos, as sentimos em nossa rotina.

Assim, por mais que a revolução armênia não seja algo próximo de nós como brasileiros – a maioria aqui não é descendente de armênios – ela acaba por ter certa proximidade pura e simplesmente por ser um movimento de mudança e de aproximação (ou não) entre a população e a liberdade. Se tem algo que a situação atual brasileira precisa é de uma alteração brusca e imediata. 

Texto que faz parte da cobertura da edição 2022 do Festival de cinema de Rotterdam

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