1.2.22

IFFR 2022: Yamabuki

Yamabuki
Imagem: DIVULGAÇÃO

Texto que faz parte da cobertura da edição 2022 do Festival de cinema de Rotterdam

This critic is part of IFFR 2022 coverage

“Yamabuki é uma flor que cresce nas sombras”, diz em certo momento, um personagem do filme que leva o título da flor. A maioria das pessoas cresce nas sombras, isso caso elas consigam crescer. Claro, crescer é diferente de florescer, então, é até fácil ter algo parecido com uma flor que cresce nas sombras.

Dirigido por Juichiro Yamasaki, o filme conta a história de três personagens que se cruzam em suas vidas devido a caminhos em comum, um homem que trabalha com construção, sua esposa e a personagem título, uma jovem adolescente que se engaja em protestos silenciosos em Okinawa.

Todos eles querem buscar algo no qual podem se agarrar, onde vejam algum tipo de futuro. Yamasaki liga essas buscas em diferentes fases da vida de maneira bem efetiva, gerando identificação no espectador, através da união entre esses caminhos. A vida nada mais é do que essas constantes tentativas e erros, até que a pessoa se cansa e para de tentar.

De certa forma, todos ali pararam de tentar por algum motivo, mesmo que tenha sido de forma inconsciente. As flores param de crescer em algum momento e podem voltar caso a vida permita. Se o casal volta a crescer nas sombras devido ao amor que sentem um pelo outro, por mais que seja através da frustração que isso acontece, Yamabuki experimenta esse crescimento ao encarar a vida sem a mãe, falecida quando a menina era pequena.

Por isso, imagino, a escolha do diretor de usar imagens granuladas. A vida é granulada daquela maneira, cinza igual a construção que o homem trabalha e onde acha algo importante para a sua família, escura tal qual a relação de Yamabuki com seu pai, incapaz de crescer mesmo nas sombras.

A constante busca pelo futuro, a briga contra si mesmo, são temas potencializados pelo diretor através do silêncio. Um bom exemplo para a ilustração disso é Yamabuki e sua vontade de amar, quando descobre que o colega de escola gosta dela, ao mesmo tempo em que tem medo de se entregar a esse sentimento, talvez porque nunca teve um exemplo próximo a ela de como isso pode ser bom ou apenas por medo mesmo.

Ao não negar esse silêncio e não negar o medo que os personagens sentem, o diretor faz um filme real e cru, assim como a vida é. Há vários cenários ali que contribuem para isso – o casal é de sul coreanos vivendo no Japão, as olimpíadas – tudo isso, assim como a vida, é incontrolável e silencioso como os caminhos seguidos por aqueles personagens.

A flor yamabuki cresce nas sombras, mas nem todo mundo é capaz de crescer. Por mais cruel que seja, o trabalho de Juichiro Yamasaki mostra isso muito bem. Nem todo mundo consegue seja lá o que for, as possibilidades de conseguir são menores do que as de não conseguir e tentar é extremamente cansativo.

Texto que faz parte da cobertura da edição 2022 do Festival de cinema de Rotterdam

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