16.4.22

SIFF 2022: Juju Stories

Juju Stories
Imagem: DIVULGAÇÃO

Texto que faz parte da cobertura da edição 2022 do Festival de cinema de Seattle

This critic is part of SIFF 2022 coverage

Em “Juju Stories”, vemos três histórias que se passam em Lagos, na Nigéria, dirigidas por Michael Omonua, Abba Makama e C.J Obasi. Nessas histórias acompanhamos pessoas em busca de coisas básicas para a vida, como amor, amizade, dinheiro e como essa procura traz consequências de uma maneira ou de outra. As histórias são "Love Potion", dirigida por Omonua, "Yam" dirigada por Makama e "Suffer the Witch" dirigida por Obasi.

Quando você não tem algo que quer com a pessoa que gosta, você imagina isso na sua cabeça e cria expectativas que não são cumpridas pois as suas expectativas são apenas as suas, não a do outro. Então você para de gostar da pessoa, não apenas por culpa dela, mas também por culpa sua. Michael Omonua mostra bem isso no primeiro conto do filme, que se chama Love Potion. Ao se apaixonar por um homem, Mercy faz uma poção do amor para conquistá-lo, mas ela não queria ele, ela queria a ideia que criou dele.

Da mesma maneira que ideias criam, elas também matam e quando uma ideia morre, voltamos ao nosso imaginário. Quando falamos de amor, também falamos desse imaginário, toda relação amorosa (e ao meu ver em amizades isso também ocorre), exige muito do imaginário ao invés de se apoiar no real. Relações baseadas unicamente naquilo que é inventado são fadadas ao fracasso. Omonua brinca com a montagem ao alternar o imaginário e o real, para depois, focando apenas no real, mostrar ao público como o ideal é a mescla dos dois pontos e não a separação total deles, por mais que todo relacionamento seja fadado ao fim, independente do campo em que esteja.

Por mais clichê que essa frase tenha se tornado, toda ação tem uma reação e a reação sofrida pelo protagonista de "Yam" ao achar dinheiro na rua é algo surpreendente. O curta de Abba Makama trabalha essa consequência tanto no personagem principal quanto nas pessoas próximas a esse personagem, o que pode ser tanto uma ideia do capitalismo como prejudicial a toda sociedade, quanto uma ideia de como o dinheiro é necessário por mais que cause danos irreversíveis às pessoas.

A continuidade é algo que remete a vida. Da mesma forma que nós sempre continuamos a viver, o dinheiro sempre continua a circular e o caminho final desse dinheiro é na casa de pessoas muito ricas e que se sentem donas do mundo, mas não são. É perfeitamente possível imaginar esse segmento como um episódio de Atlanta, devido ao seu surrealismo, mas também por ser uma história sobre ambição, culpa e passividade das pessoas em relação ao seu próximo.

Em dado momento de "Suffer the witch", Chinwe, a protagonista, fala "às vezes é sobre as coisas pequenas" e ela tem razão. Para as coisas boas e ruins, o que é pequeno ou o que pensamos ser pequeno, faz toda a diferença.

O diretor C.J.Obasi trata esse assunto através da amizade entre Chinwe e Joy, a última, uma bruxa que enfeitiça o crush de Chinwe para que eles não fiquem juntos. Essa coisa aparentemente pequena, porque o que é mais um crush quando se é jovem, faz diferença na vida e na amizade das duas. Obasi constrói isso da mesma maneira que Omonua no primeiro curta, através da relação entre o imaginário e o real.

Pois para Chinwe, a amiga nunca seria uma bruxa, mas a partir do momento em que a dúvida surge, o imaginário domina e quando isso acontece, muitas vezes podemos descobrir coisas sobre o real que farão a diferença em nossas vidas, seja de maneira imediata ou não.

No caso, Chinwe descobre que Joy sente inveja da vida e da inteligência dela e é por isso que ela se comporta desse jeito em relação às pessoas que conhece, não é apenas com Chinwe, é com todos. Todo relacionamento pode ser tóxico, inclusive amizades e a amizade que é o foco dessa história, é um bom exemplo disso.

Texto que faz parte da cobertura da edição 2022 do Festival de cinema de Seattle

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