9.5.22

Crítica: O Homem do Norte

O Homem do Norte
Imagem: Universal Pictures / DIVULGAÇÃO


 “Você já é muito grande para uma saudação de criança, Príncipe Amleth. Mas, nunca será muito crescido para que eu o saúde como pai, me dê um abraço”. Essa fala de Ethan Hawke para seu filho em “O Homem do Norte”, novo filme de Robert Eggers, dá a entender que teremos um filme diferente do qual estamos acostumados com o diretor. Um filme onde a redenção vem através do afeto.

Aqui, vemos afeto de uma pessoa para a outra, ao contrário de “A Bruxa” que começa com uma expulsão e “O Farol” que inicia com delimitações de trabalho após a chegada dos dois homens na ilha. Porém, o filme que vemos é a clássica história de vingança, onde um homem, cego de ódio, precisa se vingar a todo custo.

Esse homem é o Príncipe Amleth (Alexander Skarsgard, gato), que após ver seu pai morrer e sua mãe ser sequestrada pelo seu tio, quer se vingar desse a todo custo. Se tornando um soldado altamente capacitado, ele descobre onde seu tio e sua mãe estão e decide ir completar sua vingança, encontrando Olga (Anya Taylor-Joy) no caminho.

A jornada de Amleth é linear e violenta, ambas as características são boas e ruins ao mesmo tempo. A linearidade traz ao filme o seguimento de uma formula, onde muitas vezes temos a impressão de já termos visto obras iguais várias vezes, o homem que precisa ter vingança devido a algo horrível que aconteceu e encontra o amor no caminho.

Em compensação, se essa linearidade é ruim devido a esse ponto, ela não influencia na violência das cenas de ação, o que é bom, pois o cenário de guerra constante no qual o filme está faz necessário uma violência exagerada e essas cenas tem até uma certa beleza em suas sequências.

No acampamento que é invadido inicialmente, há uma calma na direção da cena que contrasta com a violência usada por Amleth para matar seus inimigos, assim como na cena da luta final, que se passa em um vulcão. E aí voltamos a linearidade, que torna esses momentos bons, sim, mas também os torna frios e não conseguimos nos apegar a história.

Se torna impossível, graças a formula de blockbuster, torcermos para o destino do personagem. Há um momento que pensamos que isso é possível e ele envolve o relacionamento entre Amleth e Olga .“Você está procurando algo?”. “Só se for você que for achar”. Nesse momento, mais uma vez vemos uma possível redenção por parte do afeto.

Porque entre os gritos guturais daqueles homens que adoram apenas a eles mesmos e a guerra, com certeza há uma pessoa, com sentimentos e dúvidas similares as nossas, dos espectadores. Amleth não é diferente, entre as visões que tem, as profecias ditas pelos personagens de Willem Dafoe e Björk (ambos ótimos), há ali uma pessoa com sentimentos que precisam ser extravasados de alguma forma e a forma que ele pode fazer isso com o amor e o carinho que ele inegavelmente sentiu imediatamente por Olga, é o afeto, o companheirismo e não a guerra.

Mas é a guerra que predomina, o carinho perde em todos os campos. Vemos um filme que permeia a guerra e o amor do homem pelo homem e trata como impossível qualquer tipo de sentimento. Claro, não quero aqui dizer que eu sei mais que o Eggers, porém, adoraria ver algo tão forte e de certa forma libertador como “A Bruxa” novamente, e não homens verborrágicos que quase nunca prometem o que cumprem e ainda por cima não sabem lidar com a guerra que eles mesmos criaram. Uma pena.

Há método na loucura de Eggers, assim como havia na de Hamlet, mas “O Homem do Norte” é apenas uma obra metódica, fria, bonita visualmente e mais do mesmo dentro da fórmula já conhecida. Uma pena.

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