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Crítica: Avatar - Fogo e Cinzas

Avatar - Fogo e Cinzas
Imagem: Disney/DIVULGAÇÃO 

Com início imediatamente após o final do segundo filme, fica claro o motivo de James Cameron ter filmado os filmes 2 e 3 da franquia juntos. A ideia era a continuidade, se o segundo filme é sobre ter algo a perder, o terceiro filme é lidar com o luto. 

Aqui, a família Sully precisa, ao mesmo tempo em que lida com essa perda, enfrentar Varang, uma Na'Vi que renegou a entidade religiosa de Pandora. Sem esquecer de Miles Quaritch, que ainda caça Jake.


Por mais que essa ideia seja boa, o terceiro capítulo de Avatar é basicamente igual ao segundo filme em sua estrutura, de forma a ficar previsível em determinados momentos e cansativo em outros.

A forma encontrada por Cameron para resolver isso é tornar esse filme o menos contemplativo dos três. Se nos filmes anteriores temos momentos longos onde conhecemos a floresta, o mar e os seres que ali vivem, “Fogo e cinzas” é mais focado na ação. 

Por um lado, esse dinamismo parece não se encaixar na história até aqui construída, por outro lado isso não afeta a experiência, pois a metáfora criada por Cameron em relação às guerras ganha força. 

Vemos como os EUA criam a guerra em outro lugar e querem que o povo desse lugar a lute por eles, através da personagem de Varang (Oona Chaplin) que traz novo fôlego a franquia. Da mesma forma que os EUA também vendem armas a esse povo, para terem lucro independente da vitória ou da derrota.

Claro que isso envolve colonialismo e exploração do local, o que ainda acontece no filme e na vida. E se não temos um uso tão inventivo do fogo, como tivemos da água no filme 2, ao menos temos boas explosões e muitas cinzas, usadas até para a tribo de Varang se pintar.

Ainda assim, como dito, o luto ganha espaço através da narração de Lo'ak (Britain Dalton) e principalmente da atuação de Stephen Lang, que dá ao seu Miles Quaritch uma profundidade com certeza não intencionada por Cameron.

Quaritch vive o luto de não ter uma relação com seu filho, Spider (Jack Champion), porque ele (Quaritch) ama muito mais a guerra e o que isso traz a ele, do que as pessoas ao seu redor e a vida em si.

Esse é o fogo dele, o calor que o move e nada mais estadunidense do que isso. E talvez o motivo filosófico da guerra em “Avatar - Fogo e Cinzas” seja esse, enquanto de um lado há pessoas movidas pela guerra, no outro lado há pessoas como Neytiri (Zoe Saldana) e Jake (Sam Worthington) que sabem ter muito mais motivos para viver do que uma luta.

E esperamos que nos próximos dois filmes da franquia seja exatamente isso a ser explorado, os motivos, porque todos nós temos um.

P.S.: apesar de ser legal ver em 3D, é, honestamente, algo dispensável. 

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