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Crítica: A história do som

Imagem: Imagem Filmes/Mubi Brasil/Divulgação

Texto escrito por Thiago Nunes 

Lionel Worthing (Paul Mescal) é um rapaz reprimido que não encontra compreensão no ambiente em que vive, a fazenda de sua família no Kentucky, nos Estados Unidos.

Lionel é um homem gay que, além de não poder exercer sua sexualidade, afinal estamos em 1917, percebe o mundo de um jeito muito particular. Para ele, os sons têm vida. Ganham cores, formas e despertam sensações.


Quando surge a oportunidade de estudar em um observatório na cidade de Boston, ele conhece David White (Josh O’Connor), um professor de composições que chama sua atenção por reconhecer uma canção muito específica de sua terra natal.

Esse encontro funciona como um encaixe raro, como se uma nota finalmente encontrasse seu lá maior. A relação avança para uma amizade intensa e logo se transforma em um caso de amor melancólico, atravessado por tragédias familiares, milhares de quilômetros e até mesmo pela Primeira Guerra Mundial.

Oliver Hermanus traduz essa melancolia em cores frias, pálidas e quase gélidas. A vida de Lionel parece ganhar cor apenas quando David está por perto. O som é central, mas o silêncio também tem peso. As paisagens naturais, filmadas em planos contemplativos que muitas vezes ajudam a narrar a história, criam um certo distanciamento entre o público e os personagens ao longo da obra.

Ainda assim, Paul Mescal, presente em praticamente todas as cenas, consegue nos puxar para dentro do filme. Ele nos convida a observar como aquele homem tenta lidar com os dilemas que esse sentimento provoca, enquanto caminha com seu parceiro registrando sons em um gravador de cera.

Se a intenção de Lionel é capturar o som, preservá-lo e mostrar às pessoas que algo pode ser sentido a partir dele, a intenção do diretor parece ser outra. Criar um romance contido, quase conservador, marcado por contatos físicos raros e por um distanciamento emocional que nunca desaparece completamente.

Os grandes momentos do longa se sustentam justamente em Mescal e O’Connor. São eles que dão vida às gravações e transformam esses fragmentos em memória. Uma história que, graças ao som, encontra uma forma de sobreviver ao passar dos anos.

Por Thiago Nunes 

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