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| Imagem: DIVULGAÇÃO |
Quando vemos um filme, pensamos no que ele nos faz sentir, mesmo que nós não saibamos disso, o fazemos de maneira inconsciente e assim definimos se gostamos ou não daquilo que acabamos de ver naquele curto intervalo de tempo, se aquilo nos entreteve de alguma forma ou se nos levou a algum lugar que não sabíamos onde era dentro de nós mesmos.
Mas e quando um filme está dentro de um filme que, por sua vez, está dentro de outro filme? Antes de Wes Craven e a sua franquia “Pânico”, tivemos John Landis, que em 13 minutos (quase 14), fez de “Thriller”, música mais conhecida de Michael Jackson, se tornar um curta que entretém ao mesmo tempo em que engana o público.
Ao usar a metalinguagem como ferramenta, Landis trabalha para que o espectador fique tão entretido com a figura de Michael Jackson que nos anos 80 era a pessoa mais famosa do mundo, que nós nos esquecemos de como aquele curta ou vídeo clipe, como preferir, nos engana constantemente.
É como se a câmera de Landis funcionasse não como uma câmera olho, mas sim, como uma câmera mágica, daquelas que criam ilusões de ótica onde o espectador fica curioso para saber como foi enganado, onde foi enganado e o motivo pelo qual foi enganado enquanto olhava aquelas figuras que pareciam estar se mexendo, mas não estavam.
Em “Thriller” isso acontece várias vezes. Logo de cara pensamos estar vendo um filme de terror, onde o protagonista (sempre o próprio Michael Jackson), é na verdade um lobisomem e deixa sua namorada em choque e em constante fuga. Logo em seguida, descobrimos que isso na verdade é a cena de um filme, que Michael Jackson e a namorada estão vendo dentro de uma sala de cinema cheia e no qual ele está entretido e a moça não.
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| Imagem: DIVULGAÇÃO |
Ela, incomodada, pede para que eles vão embora dali. A sala de cinema, cheia, o que representa tanto o cinema como arte, cujo objetivo é reunir pessoas em prol de um mesmo fim, quanto um dos medos que a sociedade pode gerar independente do momento em que vivemos, muitas pessoas em um mesmo lugar podem representar algo ruim ou ao menos passar a primeira impressão de um risco que poderá acontecer no futuro próximo.
Aqui o filme se torna algo que podemos considerar como comédia. A música começa a tocar, Michael Jackson começa a cantar e se ao escutarmos a música de maneira isolada pensamos que se trata apenas de uma história de terror, ao ver o filme, Landis a transforma em um diálogo que serve tanto para tranquilizar a namorada do protagonista, quanto para tirar uma com a cara dela. Medo? Porque? É só um filme.
Nesse “diálogo”, o ponto de vista da obra para o espectador sofre uma alteração brusca, pois é aqui que percebemos que estamos vendo tudo isso pelo ponto de vista não do cantor/estrela pop, mas sim da namorada dele no filme e que sempre estivemos vendo tudo pelo olhar dela e que fomos enganados para pensar que estávamos vendo pelo olhar dele, apenas por ele ser uma superestrela musical no mundo real.
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| Imagem: DIVULGAÇÃO |
Talvez o thriller que a música tanto se refere seja essa mudança. Pois é nessa mudança que o clipe muda, vemos a dança, a música se torna mais alta, o protagonista novamente se transforma em um lobisomem, dessa vez acompanhado por zumbis e tudo que a namorada pode fazer é fugir. O conceito de Final Girl pode ser inserido nesse aspecto, mas isso daria outro texto, apenas destaco isso pois Final Girl é uma mulher protagonista, e aqui temos uma confirmação ainda mais forte que a namorada é a protagonista.
Mas logo após isso, a fuga, a música cada vez mais alta, o filme assistido pelo casal se tornando real, a voz grossa de Vincent Price dominando nossos ouvidos e nos manipulando tal qual a câmera de Landis fez durante todo o tempo, o espectador é levado a pensar, porque? Por que isso é real? Isso é real ou é apenas uma aventura boba?
E era apenas uma aventura boba, onde Michael Jackson, percebendo que a namorada estava assustada, pergunta se ela está bem, quando eles já estão em casa. Ela levanta, sorri aliviada, em um gesto que é basicamente o mesmo que o espectador faz. Estávamos com medo igual ela estava, pensando que ela não deveria morrer e deveria arrumar um namorado melhor. A música para, a voz de Vincent Price dá uma pausa, o lobisomem agora é um homem de novo e logo em seguida, vem o abraço de alívio e a revelação que, sim, tudo aquilo era real, através do rosto do protagonista se transformando em um rosto de lobo.
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