28.10.16

Crítica: The Handmaiden



Filmes dirigidos por Chan-Wook Park são fieis visualmente ao que todos nos vemos, no aspecto de dialogo, e são viscerais no aspecto físico, independente da historia, o público sabe que verá algo plausível, algo violento que pode acontecer e alguma frase forte que pode ser dita por qualquer um de nós.

“The Handmaiden” é justamente isso, contando uma história simples de entender, mas de uma forma que Eisenstein provavelmente ficaria orgulhoso, a obra trata de Sook-Hee vivida por Tae-Ri Kim que é contratada para ser criada de Hideko, Kim Min-Hee, porém, a moça tem uma tarefa que fazer Hideko, dona de uma grande fortuna se apaixonar pelo Conde Fujiwara, interpretado por Há Jung-Woo, que tem a intenção de colocar a moça em um manicômio após se casar com ela e ter o dinheiro em suas mãos.





A história é muito bem contada, desde seus enquadramentos que mostram como cada personagem se sente, Sook-Hee é mostrada em planos mais fechados, ou em cômodos mais fechados, expondo como a personagem se sente pequena e sem autoconfiança, enquanto Hideko já aparece em planos mais abertos, com penteados que mudam a cada cena e com um tom de voz suave, porém seguro.

Hideko usa cores vivas em suas roupas, mostrando como ela não se sente oprimida pelo tio autoritário com o qual ela mora, e enquanto Sook-Hee usa sempre os mesmos tons, azul escuro, que é a cor da roupa usada pela moça em seu trabalho, e usa também o branco e o preto, tons sóbrios, que vão mudando no decorrer da projeção assim como a personagem.

O uso de vários cortes e da montagem ajuda a historia a fluir muito bem, de forma que em nenhum momento de suas  duas horas e meia o filme se arraste, vários pontos de vista são mostrados com a ajuda da montagem, desde um personagem secundário, ate o das personagens principais citadas acima, com os cortes bem feitos e diálogos bem organizados fica fácil de entender o filme nos seus momentos mais agudos, além de facilitar o entendimento, é muito bom ver um filme tão bonito esteticamente também ser bonito tecnicamente.

Assim, “The Handmaiden” se torna um dos grandes filmes de 2016, e é uma pena que por conta da posição politica de seu diretor e elenco, a obra não tenha sido selecionada para representar o pais no Oscar de melhor filme estrangeiro. Essa situação, que também aconteceu com Aquarius, torna o filme ainda maior, pois pessoas que trabalham e que tem coragem de manter uma posição, de uma forma ou de outra tem sucesso. Com certeza esse filme se encaixa nisso.



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