26.12.16

Crítica: Capitão Fantástico




“Tudo em exagero estraga” já diz minha mãe, levando em conta essa frase, até a filosofia e o isolamento da sociedade estragam, o que vai contra o filosofo Jean Jacques Rousseau que disse “O Homem é bom, a sociedade o corrompe”.

Porém, o isolamento, a filosofia e a vida o mais próximo da natureza possível é o que Bem, vivido por Viggo Mortensen, ensina a seus seis filhos nesse “Capitão Fantástico”. Dirigido por Matt Ross, o filme conta a historia de Ben, que cria seus filhos em meio a floresta o que remete a República de Platão, ensinando para eles por conta própria as matérias de filosofia, literatura, historia e biologia, fazendo-os praticar esporte, tudo isso, no meio de uma terra que o homem adquiriu com sua mulher, quando de maneira abrupta, ele e sua família são obrigados a voltar a viver em sociedade.




O filme consegue ilustrar muito bem como é necessário estudar e ter senso critico em relação a sociedade,  e faz isso não apenas com atuações de um elenco altamente competente, mas também usa as cores, é interessante ver como quando toda a família está na floresta, ou, o mais longe possível da sociedade, as cores dos figurinos utilizados por eles são fortes, e quando estão se relacionando com alguém na cidade, as roupas mudam para tons escuros e monocromáticos.

A montagem do filme também merece atenção, pois, consegue unir várias correntes filosóficas, como Platão e Rousseau citados acima, de forma orgânica em todas as suas cenas, utilizando de cortes rápidos e secos, de forma a focar os personagens, sem, porém, deixar de dar a atenção necessária a cada local onde as cenas se passam, portanto, vemos belos diálogos, em locais amplos em sua maioria, que foram muito bem explorados e ainda em cenas bem editadas e encaixadas no contexto do filme.

É muito bom um filme como “Capitão Fantástico” ter sido lançado neste ano de 2016, pois, vivemos em uma época de alta interação tecnológica, onde informações são difundidas a rodo por uma mídia tendenciosa, e ainda, neste ano a propagação do ódio a pessoas que pensam diferentes de nós foi elevada a um grau que é bizarro, logo, uma obra como esta, faz a gente perceber que estamos fazendo algo na vida em sociedade, não respeitamos mais os outros, não debatemos mais questões de alta relevância, e principalmente, não aprendemos e não nos surpreendemos mais.

Levando em conta a ideologia de Ben e o fato de não aprendemos e nem nos sentimos surpresos, e ainda o fato de que o personagem é um homem mais velho e ainda mais suscetível a não mais aprender, ele ter reconhecido seus erros vai totalmente de acordo com as suas ideias e pensamentos, e torna “Capitão Fantástico” um filme lindo de assistir.


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