30.1.17

Crítica: Moonlight



Toda pessoa passa por uma estrada de autoconhecimento, e, na maioria das vezes essa estrada pessoal nunca termina, e nunca acabamos por nos conhecer por completo, mas, é importante sempre mantermos a busca pelo autoconhecimento, mesmo sabendo que ele nunca será completo.

É justamente isso que o diretor Barry Jenkins usa para contar a historia em “Moonlight”. A historia contada é a de Chiron, desde quando ele é apenas um garoto até quando ele se torna um adulto, passando por acontecimentos, descobertas e pessoas que de uma forma ou de outra foram importantes na vida dele.




Uma das intenções é causar a empatia do público com o personagem e para isso o diretor utiliza de planos fechados nos rostos do protagonista e das pessoas com as quais ele se relaciona, logo, quando descobrimos que a mãe dele é usuária de drogas não percebemos isso por uma cena mostrando o uso propriamente dito e sim pela expressão de um ainda menino Chiron vendo o acontecimento. Além do que, a obra trata seus personagens por um nível igual de importância, apenas sabemos quem são o foco da historia pelo tempo de cada um na tela, porém, apesar disso, o espectador fica se perguntando o que aconteceu com tal pessoa, o que nos leva a empatia do começo do paragrafo, o público se aproxima dos personagens que ali estão.

Para essa aproximação ocorrer com sucesso é necessário um elenco que seja competente e é justamente isso que temos em “Moonlight”, Chiron é interpretado muito bem pelos três atores que o encanaram, Alex R. Hibbert que o interpreta quando criança passa o medo que o garoto tem de sua mãe de forma brilhante, ele consegue transmitir justamente o pensamento do menino sem a necessidade da fala, Ashton Sanders que é o adolescente Chiron, tem o mesmo medo, mas, aqui já vemos a raiva em seu olhar e de se sentir preso, e Trevante Rhodes une tudo isso ao Chiron adulto, independente e mostra uma mudança na vida pessoal do personagem apenas pelo olhar e postura física.

Naomie Harris faz da mãe do rapaz uma pessoa cruel, mesmo que simultaneamente seja também amorosa, Janelle Monáe passa a segurança necessária a Chiron como Teresa e Mahershala Ali vive um personagem que chega a ser até simpático, mesmo que tenha como trabalho um meio ilícito.

Sendo um bonito estudo de personagem e mostrando que devemos ser quem somos, independente do pensamento do outro, “Moonlight” consegue contar uma história extremamente pessoal de forma não invasiva e ainda gera uma reflexão – também pessoal – sobre a vida em si.


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