23.2.17

Crítica: Lion



Apesar de vários adventos tecnológicos na área de segurança e vigilância, e claro, a internet, o desaparecimento de pessoas, e entre elas muitas crianças, ao redor do mundo, ainda é frequente. “Lion” é um filme que conta a história de um desses desaparecimentos.

Dirigido por Garth Davis e estrelado por Dev Patel (Quem quer ser um milionário?), “Lion”, conta a história de Saroo, quando menino interpretado por Sunny Pawar e adulto por Patel, que, se perdeu da família em uma estação de trem, foi parar em Calcutá e acabou por ser adotado por um casal australiano, vividos por Nicole Kidman e David Wenham.




É interessante como o filme não acha necessário contar a historia de Saroo focando mais em sua vida adulta do que na sua infância, ambas aqui são importantes para que a obra funcione, e isso é entendido por Garth Davis que, em duas horas de projeção, dedica aproximadamente uma hora para infância, onde mostra o desaparecimento e como a vida do menino muda, e uma hora para a vida adulta, onde é exposto justamente como a adoção fez bem ao futuro de Saroo, e claro, sua busca pela mãe e irmãos biológicos.

Para isso, as atuações competentes de um elenco bom são necessárias, já que em termos de montagem, roteiro, linguagem e outros aspectos técnicos o filme não apresenta nada de diferente. Comecemos por Sunny Pawar, que representa Saroo quando jovem, talvez, essa seja a melhor atuação do filme, pela esperteza demonstrada apenas pelo jeito que o garoto anda e ainda, pela sensibilidade impar de seu olhar sempre esperançoso, e percebemos como o menino tem empatia pelas pessoas com as quais convive mesmo aquelas que fazem mal para ele.

Empatia essa bem transmitida por Dev Patel na sua fase adulta,  já que ele se torna um rapaz feliz, bem sucedido, e que tem lidar com o seu passado um tanto quanto oculto em sua mente, ao mesmo tempo que vive aquilo que jovens costumam viver, no caso, manter um bom relacionamento amoroso e familiar. No amoroso, temos Rooney Mara – de Millenium – interpretando Lucy, namorada do rapaz, interpretação essa necessária para entendermos um dos motivos da relutante busca de Saroo por sua família. No relacionamento familiar, temos como destaque a atuação de Nicole Kidman como a mãe adotiva, uma mulher amorosa, forte, com vontade de fazer algo diferente, não só para ela, mas para as pessoas, e tudo isso é bem exposto na atuação dela.

Apesar de sua formula de contar a história não ser inédita, e até mesmo batida, “Lion” é um filme que consegue funcionar com eficiência, por conta de suas atuações e principalmente por conta do uso bem dividido do tempo na forma de passar os acontecimentos. Porque, convenhamos, a história do menino Saroo para o homem Saroo, apesar de terem o mesmo objetivo e serem protagonizadas pelo mesmo personagem, são totalmente diferentes uma da outra.

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