12.6.17

Crítica: A Bela e a Fera

A Bela e a Fera
Imagem do Portal UOL


Na indústria atual, vemos cada vez mais remakes e prequels de histórias já consagradas, do que novas criações e histórias. É claro que é um tanto mais fácil, em qualquer área, trabalhar já com uma base, mas, um exagero está ocorrendo na forma como os filmes estão deixando de ser novos, para serem recriações. Isso é cada vez mais comum no cinema chamado “comercial”.

Logo, quando a versão live action de “A Bela e a Fera” foi lançada, eu fiquei ao mesmo tempo feliz, pois gosto da história e sempre quis ver como iria funcionar com pessoas de carne e osso, e triste, porque, mais uma vez, algo novo deixou de ser criado para dar atenção e espaço a algo já conhecido e consolidado.




Felizmente, “A Bela e a Fera”, dirigido por Bill Condon, é uma obra que funciona, mesmo sem ter uma novidade. O filme é baseado não no conto, e sim no desenho, lançado em 1991, e que foi a primeira animação a concorrer ao Oscar de Melhor Filme.

Então, a necessidade de uma breve sinopse se faz nula, Bela, interpretada por Emma Watson, para salvar o pai, fica presa no castelo da Fera, onde encontra os objetos da mobília vivos, utensílios já conhecidos pelo público, o bule, a xicara, o candelabro, o relógio, o armário e vários outros.

A projeção funciona justamente por usar a tecnologia como linguagem. Temos uma experiência completamente visual, uma fotografia que fala, as cores mudam de acordo com o ambiente onde a cena se passa, se no inicio, o castelo habitado pela Fera é frio, gelado, mesmo quando de dia, com o passar do tempo, com a presença cada vez maior da Bela naquele lugar, tudo vai ficando mais claro, mais quente, demonstrando, como o amor, que é um dos personagens, modifica a historia.

Isso também acontece com o som, cada espaço tem um som diferente, sons que entre os primeiros 40 minutos e  1 hora, são diegéticos, frios, burocráticos, cada vez que o filme vai avançando, e o sentimento entre os personagens principais cresce de forma gradual, o som vai ficando mais alto, feliz e comunicativo.

E, comunicativo (e representativo, vemos diferentes pessoas, de diferentes etnias em vários papeis) também é esse competente elenco, Emma Watson consegue ser convincente como Bela, fazendo da personagem uma moça feliz, assim como a idealizada na animação, Dan Stevens (Fera), consegue passar sentimento, empatia e expressão, mesmo por trás de todo trabalho de efeitos especiais. Destaco também os objetos da casa, principalmente, Lumiere, interpretado brilhantemente por Ewan McGregor, que fez um trabalho ótimo na caracterização da voz, e Cogsworth, representado por Ian McKellen, que assim como seu companheiro, consegue trazer expressão e convencimento apenas pela voz.

Logo, “A Bela e a Fera”, quebra a sequencia de remakes ruins lançados nos últimos dois anos, e traz de volta a vida, um conto clássico da Disney.

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