7.8.17

Crítica: Dunkirk – Sem alma e perfeito na técnica



Um filme não tem apenas como objetivo entreter seu público ou ser perfeito tecnicamente, mas, (ao menos a meu ver), o grande ponto do cinema é conquistar seu espectador, e fazer isso independente da história que esteja sendo contada, usando entretenimento e técnica.

Christopher Nolan sabe conquistar quem assiste aos seus filmes, e isso ficou provado anteriormente, em obras como “Amnésia”, “Insonia”, “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e “A Origem”, esse último o diretor escreveu sozinho, e talvez seja o único de seus filmes que seja bom e que foi escrito apenas por ele, e não em conjunto com seu irmão Jonathan.

Isso me leva a pensar que, talvez se “Dunkirk” tivesse sido escrito pelos dois irmãos. o filme funcionasse, assim como quase todas as suas qualidades técnicas funcionam (quase, porque roteiro também é técnica).

Contando uma história real da batalha de Dunkirk que aconteceu na segunda guerra mundial, a obra foca em três núcleos distintos, o dos civis tem a duração de uma semana, e é protagonizado por Mark Rylance, o dos marinheiros leva um dia, e tem em seu foco o jovem ator Fionn Whitehead, e por fim, os dos aviadores, que tem Tom Hardy em seu principal papel.

As passagens de tempo confundem o público, pois, se tudo é mais lento para os civis, é mais rápido para os aviadores, e o filme da a entender que tudo ocorre simultaneamente, o que até é real, mas não tanto assim. A montagem paralela usada para dispor a história não foi a escolha certa, justamente pela confusão que isso causa.

As atuações deixam um pouco a desejar, enquanto Mark Rylance faz seu papel funcionar muito bem, Whitehead é altamente inexpressivo, quase não fala e não transparece nenhum tipo de sentimento, se no caso do jovem ator isso é algo ruim, Tom Hardy usa isso ao seu favor, já que durante a maioria de seu tempo de tela apenas seus olhos aparecem, através de seu olhar percebemos a força que usa para virar o avião, sua concentração nos tiros e sua calma para comandar os seus parceiros.

Se a falta de falas durante o filme exclui a possibilidade de diálogos expositivos que muitos condenam nos filmes de Nolan, o som também faz isso com maestria. Durante todo o filme as pessoas se sentem imersas na guerra, como se fossem companheiros de serviços daqueles rapazes que são retratados, e a trilha sonora contribui fortemente para a empatia criada pela causa apresentada.

Os movimentos de câmera também são muito elegantes, e acredito que Nolan assistiu aos documentários que foram realizados na guerra pelos grandes diretores – como Wyler e Huston -, e baseou seus movimentos nos que foram utilizados em “Thunderbolt – O Avião P-47” e a “A Batalha de San Pietro”, pois durante muitos momentos vemos câmeras posicionadas em lugares considerados improváveis, como em uma maca, na asa de um avião, em um espelho e assim vai e nos diversos que mostram Hardy de frente, enquanto este pilota. E ainda, os planos inclinados em certas cenas envolvendo barcos afundando ajuda na sensação de que o público se afoga junto, e claro, os diversos planos gerais que permitem ao espectador ver a diferença de tamanho entre os barcos utilizados pelos civis e os barcos da marinha britânica.

Logo, Christopher Nolan cria uma projeção elegante e quase perfeita tecnicamente, mas que não tem alma, não sentimos empatia pelos personagens porque nunca os conhecemos realmente, não há profundidade e talvez isso seja justificado por conta da escolha em dividir a batalha em três núcleos, mas pode também se dever ao roteiro fraco que o filme tem.

Nolan claramente se sente a vontade com a câmera na mão e talvez não se sinta tão a vontade assim escrevendo, que é algo que ele provou que sabe fazer com “A Origem”, mas que não é sua zona de conforto e sim a de seu irmão Jonathan, que pelo visto faz uma falta tremenda na criação de histórias.

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