27.10.17

Crítica: Cinema de explicação conceitual: “O Jovem Karl Marx"

O Jovem Karl Marx
Imagem: Califórnia Filmes
Raoul Peck é claramente um cineasta daqueles de cunho social, sempre tentando abordar aspectos políticos, de resistência, com o objetivo de atingir o povo e faze-lo entender um contexto histórico/econômico/ideológico dificilmente explicado pela grande mídia.

Em “Eu não sou seu Negro”, um documentário de assunto pertencente a questão e a luta racial nos Estados Unidos – aborda vários países, mas com foco nos EUA – claramente a intenção é essa, de explicar, de elucidar algo. E fica claro o pensamento do diretor nesta obra, até porque, documentários costumam dar essa margem para opinião dos participantes da produção, direção e afins.




Porém, se no filme anterior o melhor ponto é o embasamento destes princípios seguidos pela opinião do realizador, em “O Jovem Karl Marx”, o mérito está na distância tomada em relação àquela ideologia criada pelo personagem principal. Peck pode até ser favorável aos pensamentos explicitados na obra, porém, nunca saberemos, e sim, essa é a decisão correta, principalmente levando em consideração o contexto da projeção.

Com o fim de elucidar a história da criação de um dos livros mais influentes na sociologia mundial, a obra conta como Karl Marx (August Diehl), ainda um jovem expondo seus princípios pelos artigos publicados em um jornal, conhece Friedrich Engels, um rapaz rico e concentrado em escrever um estudo sobre as rotinas dos funcionários das fabricas de seu pai, localizadas na Inglaterra.

Por abordar um momento da juventude dos caracterizados, o filme depende muito da atuação dos dois atores principais, porque, além de criar suas figuras com base em pessoas reais, eles precisam utilizar-se da juventude dos dois, já que estes são mais conhecidos devido a sua fase mais velha, quando ambos (mas principalmente um deles) lança uma obra ainda existente e de resultados prolíficos nas livrarias por ai. Logo, por ser obrigatório o uso da mocidade e pela maioria das pessoas pensarem neles como mais velhos, o trabalho feito por aqueles que os representam se torna mais complexo.

Junto com a inteligência dos atores, há a apresentação correta de várias doutrinas, as quais ambos conheceram através de outros pensadores, expondo um confronto entre as ideias de um e as de outro, e como todas essas pessoas trabalharam juntas (ou ao menos tentaram) em prol do bem da sociedade.

Apesar do conceito de alteridade ser utilizado, a obra cai no mais do mesmo em relação a parte técnica. A montagem é comum, cheia de cortes secos, com planos de pouca duração e sem uma união entre eles, não há, por exemplo, uma ordem para retratar um personagem apenas de corpo inteiro ou outro personagem apenas em plano americano (dos joelhos para cima), nada disso, há apenas o foco nos diálogos e no assunto em questão.

Isso leva a pobreza de movimentos de câmera, fazendo a obra não fluir muito, e possivelmente pode levar o espectador a pensar na duração do filme (uma hora e 43 minutos), o que não é longo, porém, devido à falta de fluidez, alguns podem vir a achar a projeção cansativa.

Portanto, “O Jovem Karl Marx” tem como ponto positivo a imparcialidade e a contextualização acertada de um princípio, fazendo seu público entende-lo de maneira mais simples. Mesmo com sua falta de ritmo, vale a pena ser assistido pelo tom de explicação adotado no filme. Ainda assim, talvez, se o filme fosse um documentário (claro, teria que ter menos de uma hora e 43), e usando a imparcialidade, talvez o resultado seria melhor. 

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