26.10.17

Crítica: “Venus” e a coragem

Venus
Imagem: Divulgação
Sem dúvida alguma, os documentários têm como objetivo aproximar o público de uma outra realidade, apresentando-a de maneira didática, e, criando a empatia, gerando conhecimentos diversos. Assim, esse gênero é o mais próximo da realidade nua e crua que o cinema chega, servindo como intermediário entre público e fato.

Mas, imagina, se, atualmente, onde o machismo e o sexismo estão cada vez mais passando impunes, mesmo com toda a luta, se mulheres decidem fazer um documentário sobre mulheres, onde elas (as entrevistadas) relatam suas experiencias sexuais e se aprofundam na discussão sobre sexo?



Isso foi feito por duas diretoras, Lea Glob (que também dirigiu, junto com a brasileira Petra Costa, o filme “Olmo e a Gaivota”) e Mette Carla Albrechtsen. A ideia de “Venus” é simples: as duas moças iriam fazer um filme erótico com base nas experiencias sexuais de várias mulheres. Porém, quando começaram os testes de elenco, elas perceberam que as entrevistas tomaram um outro rumo, o do debate sobre o natural, e assim, surgiu esse documentário.

É muito corajoso como as entrevistadas contam suas histórias, porque ser mulher é um ato de coragem e claro, porque o que é contado é muito pessoal, assim, a quantidade de mulheres (foram 100) que compareceram ao teste, se reflete na diversidade de opiniões e histórias ali relatadas.
Há uma delas que é extremamente tímida, outras que são mais extrovertidas (e levam o espectador até mesmo a algumas risadas), e claro, há aquelas que ficam no meio – termo. Graças a escolha das diretoras em mostrar o máximo de depoimentos possíveis, vemos como todas elas estão ligadas entre si, mesmo que não se conheçam, há algo em comum que junta as histórias contadas.

Então, é bacana ver como o filme, apesar de falar sobre sexo o tempo todo, não busca a excitação do espectador, e sim, procura aprofundar e fazer com que cada um de nós conheça algo que é natural e que faça dessa experiencia algo mais agradável para o seu parceirx, pois, muitas das experiencias narradas são cruéis e mostram como os homens podem ser opressores em relação aquilo que faz todos nós nascerem.

Logo, justamente devido a esses motivos, por conta dessa exposição corajosa, a decisão das diretoras de mostrar a entrevistada mais tímida dançando (com a autorização dela, como é exposto na obra) é uma atitude linda, assim como muitas delas terem aceitado fazer o retrato nu em frente a câmera – e novamente, é exposto na obra que todas as moças ali, fizeram porque quiseram – é um ato lúcido, natural, forte e belo.

Porque, ser mulher é ser corajosa, é ser forte, é lidar com diversas coisas durante todos os dias que nunca um homem sonharia em lidar. Porque, como esse documentário mostra, a liberdade de expressão e a vontade de falar podem fazer qualquer coisa ser possível. 

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