20.11.17

Crítica: A solidão de todos nós em “Na Praia a Noite Sozinha”

Na Praia á Noite Sozinha
Imagem: Divulgação
Se existem filmes capazes de abordar a internalidade de cada pessoa, é Hong Sang-soo. Diretor sul-coreano de alta produção, ele consegue através da técnica, expor sensações de uma forma que dificilmente será igualada, em uma combinação de além do aspecto já citado, história envolvente e boas atuações.

Em seu novo filme, “Na Praia a Noite Sozinha”, há todos esses aspectos, interligados entre si por uma fotografia impecável. A história é a seguinte, Young-hee, interpretada por Kim Min-Hee (de A Criada), é uma moça que após uma viagem para Alemanha, volta a Coreia do Sul para rever amigos e parentes. Esse retorno é marcado por um amadurecimento da jovem, pois, ela passou um bom tempo fora de casa.


É bacana ver como o diretor se preocupa com os detalhes. Ele os utiliza para transmitir os sentimentos da moça e para criar a identificação – necessária nesse tipo de filme – com o público, que precisa sentir o que ela sente para entender o que se passa na história.

Os figurinos que todo o elenco usa combina com o ambiente onde se passa a cena. Em diversos casos vemos a protagonista usando uma roupa de uma determinada cor e esse tom estar presente no sofá onde ela senta, ou ser a cor das paredes do lugar onde ela está, ou ainda pertencer a alguma embalagem de bebida que ela está consumindo.

Em relação aos movimentos de câmera, ele sempre busca focar na personagem principal, usando de diversos travellings para o lado e panorâmicas, apenas para que o espectador acompanhe a história de forma mais ritmada e assim, fica claro que a mulher é a personagem principal.

A fotografia ousa ao usar de diversas paletas dependendo do tom da cena. Se vemos uma conversa animada, em um dia claro, o azul predomina, levando felicidade e fazendo o público entender o que o dialogo representa. Em compensação, se a cena é triste, o preto, o cinza e as cores neutras são o que dominam o ambiente.

O filme é dividido em dois episódios, e apesar da duração desigual dos dois – o primeiro dura 25 minutos e o segundo dura uma hora e quinze – temos uma projeção que é bem estruturada, devido aos momentos diferentes vividos pela protagonista nesses capítulos. Se, no primeiro, ela é uma mulher feliz e otimista, mesmo com saudade de um companheiro, no segundo, a solidão enfrentada por ela é pior, devido ao retorno a sua terra natal ser doloroso, justamente por ela se sentir sozinha sempre.

Pois, o assunto principal do filme é o de uma jornada contra a solidão, e seu titulo é justamente como a personagem se sente, ela se sempre se sente sozinha, e a praia é tudo aquilo que a solidão dela abrange, principalmente no segundo episodio, e mais especificamente ainda, nas cenas dos jantares, onde em determinados momentos ela está calma para logo em seguida, explodir de raiva, como se ao mesmo tempo em que quer estar ali, ela quisesse preencher um vazio, e quando ela tem os ímpetos raivosos, ela percebeu a falha desta tentativa.

Todas as facetas da personagem poderiam ser fadadas ao fracasso se não fosse uma atriz tão talentosa representando-a. Kim Min-Hee consegue passar os sentimentos com maestria, seja devido a sua postura em determinados momentos, seja por suas falas ou apenas pelo seu olhar, que denota tristeza e otimismo e ao mesmo tempo expõe carência. 

Assim, “Na Praia a Noite Sozinha” é um rico estudo de personagem, feito por um diretor que domina a técnica e que sabe como usá-la. Se tornando um dos grandes filmes de sua já bem-sucedida carreira.

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