29.1.18

Crítica: “Eu, Tonya”

Eu, Tonya
Imagem: California Filmes / Divulgação

No esporte, a história de Tonya Harding é muito conhecida. Patinadora, talentosa, primeira a realizar o Triplo Axel (um dos saltos mais difíceis da patinação). Porém, ela é famosa por algo relacionado ao lado errado do esporte, o incidente com Nancy Kerrigan – outra atleta da patinação), onde um homem, supostamente enviado por ela, bateu com um cassetete nos joelhos da moça, a impossibilitando de competir naquele momento.

“Supostamente”, porque “Eu, Tonya”, dirigido por Craig Gillespie, destrincha os fatos e assim, dá ao público a oportunidade de escutar o lado de Harding, a chance de defesa dela.


Baseado na entrevista cedida por ela, pelo ex-marido e pelo testemunho do real arquiteto do ataque, a história acompanha Harding (representada por Margot Robbie) enquanto esta trilha sua caminhada pelo duro mundo da patinação, no qual parece não se encaixar, seja pelo seu estilo de vida totalmente diferente do das suas colegas ou por ter uma mãe explosiva, agressiva e que não disfarça isso nem por um momento.

A partir disso, percebemos como tudo na vida de Harding foi afetado pela mãe Lavona – tão bem representada por Allison Janney – pois é a partir da agressividade desta que a filha não se importa com a aparência ou com as músicas nas suas apresentações, que fala para uma colega em certo momento do aquecimento “sai daqui, você está no meu caminho” e claro, é explosiva com os juízes e com as suas treinadoras.

Porém, mais do que tudo isso, é nítido como a agressividade da mãe, impulsiona a filha a se relacionar com pessoas que pertencem – ou poderiam – ao estilo de vida da progenitora, e o ex-marido Jeff é um exemplo, mas, o grande destaque do filme está em expor como Tonya ama patinar e ela é uma pessoa diferente, tentando levar sua vida também de maneira diferente, e para isso usa o esporte.

Esporte que é tão bem mostrado, através de uma câmera próxima da atleta, tanto nas apresentações quanto nos treinos e além disso, usando e abusando de zoom in nos joelhos e nos patins das atletas, esses dois que são tão essenciais para elas e para a trama, logo, essa aproximação pode ser encarada como uma pista do que está por vir.

A decisão estrutural do filme é bem interessante, pois ao alternar entrevistas dadas por várias pessoas com a história contada, além de ser uma forma não-linear de dispor fatos já conhecidos do público, expõe vários pontos de vista, trazendo diversidade nas opiniões e levando o espectador a tirar suas próprias conclusões.

Também temos as belas cenas em plano sequência, como aquela na qual a câmera entra no complexo da competição, leva o espectador até o vestiário, mostra as patinadoras se aquecendo, colocando os patins (onde há uma leve aproximação nesses), faz a volta e por fim, mostra Tonya Harding, já preparada para competir, fumando na entrada do vestiário.

Harding que foi bem encarnada por Margot Robbie, uma atriz que, quando está trabalhando com um diretor que sabe como tirar dela o melhor da atuação, oferece trabalhos instigantes e multifacetados (um outro exemplo disso é “O Lobo de Wall Street”). Como Harding, é possível percebermos mesmo na agressividade constante, a vontade de viver em paz e com amor, mesmo que para isso precise realizar alguns sacrifícios relacionados a pessoas como a mãe, que ela ama apesar de tudo.

Logo, “Eu, Tonya” é justamente aquilo indicado pelo título, a história de Tonya Harding, uma patinadora talentosa, que teve uma vida dura e se envolveu com pessoas erradas, mas que superou tudo isso.

Ou ao menos tentou. 

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