2.1.18

Crítica: Me chame pelo seu nome

Me chame pelo seu nome
Imagem: Sony Pictures / Divulgação
Em determinado momento de “Me Chame Pelo Seu Nome”, a mãe de Elio, ao traduzir do alemão um trecho de um livro, faz o seguinte questionamento: “É melhor falar ou morrer?”. Bom, essa citação pode significar várias coisas, porém, para o filme e espectador, é claramente uma dúvida entre escolher se declarar para a pessoa amada, expor seus sentimentos, esquecer o medo e decidir entre alegria e dor interna e solitária.

Porque, ora, o amor pode trazer – e traz – alegrias nas mesmas proporções que as tristezas. Tudo é potencializado quando se ama, uma dor é maior do que costuma ser, e as coisas boas são melhores do que realmente são. Pois, o sentimento é isso, trazer a tona o agradável, saber lidar com o ruim e perceber que tudo tem uma consequência, todo sentimento bom tem seu oposto.



Dirigido por Luca Guadagnino, a projeção retrata Elio (Timotheé Chalamet), que passa o verão no interior da Itália junto com seus pais, o pai (interpretado por Michael Stuhlbarg) é professor e historiador, e hospeda em sua casa, com o objetivo de realizar pesquisas de fim artístico, um americano, acadêmico da área artística chamado Oliver (Armie Hammer), para ajudar nas pesquisas. O jovem sente sua vida mudar com a chegada do norte americano.

A beleza é um aspecto inerente no filme, a fotografia remete visualmente aos quadros paisagistas do período impressionista, as cenas escuras sempre tem um ponto de luz para iluminar o ambiente ou os personagens presentes no plano, as claras – na maioria das vezes, aquelas acontecidas durante o dia – tem uma iluminação ofuscante, sempre usando tons claros, com destaque para o verde do campo e para o amarelo e o bege, estes dois últimos, frequentes na cidadezinha e no espaço interno da casa.

Porém, aquilo que revela a beleza do filme são as relações amorosas, é lindo ver como o amor pode atingir qualquer um, mesmo pessoas com firmes ideologias a seguir. E, apesar do que muita gente pode pensar devido a sinopse da obra, não temos apenas o desenvolvimento da relação entre Elio e Oliver (esta é a principal relação do filme, sem dúvida), mas também vemos o forte sentimento entre pais e filhos, entre Elio e a amiga Marzia (Sophie Garrel) e entre os pais de Elio e Oliver, o tratando como mais de um simples hospede.

Isso reflete na estrutura do filme, com 2 horas e 12 minutos de duração, a primeira hora é dedicada a desenvolver as relações amorosas entre todos aqueles envolvidos na vida de Elio e Oliver naquele momento. Vemos as festas que o jovem frequenta, como o pai e Oliver amam o trabalho que está sendo realizado, como a mãe ama arte, leitura e o trabalho do marido, e claro, o inicio da relação entre os dois personagens principais do filme. A segunda hora serve como o aprofundamento do relacionamento entre os protagonistas.

E para as diversas relações amorosas serem mostradas com firmeza, além da boa distribuição de tempo descrita acima, as atuações são essenciais. Stuhlbarg revela com o passar da projeção ser um pai sensível e acima de tudo se preocupar com a felicidade do filho, Chalamet consegue passar com maestria para o espectador as múltiplas descobertas de um jovem adulto, fazendo assim qualquer pessoa da faixa de idade do personagem se identificar com ele. Porém, o destaque fica para Armie Hammer, que constrói um personagem complexo, podendo ser arrogante devido ao seu excesso de confiança e ao mesmo tempo ser sensível em momentos diversos, mostrando principalmente, a humanidade e a beleza inerentes a cada um de nós.

Logo, “Me Chame pelo Seu Nome” é um filme sobre amor, e não apenas sobre o amor entre duas pessoas, mas sim sobre como nós, sendo humanos, podemos ser capazes de amar a vida e somos capazes sim, de fazer uma escolha difícil entre falar e se revelar e morrer.


Felizmente, muitas pessoas, assim como os personagens do filme, escolheram falar. 

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