1.3.18

Crítica: The Post


The Post
Imagem: Universal Pictures / Divulgação




Vivemos em um tempo difícil, onde as noticias transmitidas pelos grandes veículos não são confiáveis de todo, e nas épocas assim é importante conhecermos dois episódios fundamentais na história da liberdade de imprensa: Os Papeis do Pentágono e Watergate. Ambos aconteceram nos anos 70 e um dá sequência ao outro.

Watergate ganhou sua parcela de filmes, e o mais notável deles, sem dúvida alguma é “Todos os Homens do Presidente”, dirigido por Alan J.Pakula e lançado no ano de 1976 (alguns anos após os fatos). “The Post”, não tem a grandeza técnica desse filme, porém, as competências da obra são claras e trazem de volta o bom Spielberg na direção.


Bom, porque ele não tenta forçar emoções em nenhum momento, o grande defeito dele como cineasta é esse, forçar lagrimas, seja usando a trilha sonora (como em “Cavalo de Guerra”) ou com os diálogos dispensáveis e forçados (a cena que quase estragou “A Lista de Schindler” é o melhor exemplo disso), nesse “The Post” o compromisso do diretor é o mesmo da equipe de jornalistas do filme, com os fatos e com a verdade.

Acompanhamos a história de Ben Bradlee (Interpretado por Tom Hanks), editor do jornal The Washington Post, ele corre atrás dos Papeis do Pentágono, publicados em parte pelo New York Times. Do outro lado, Katherine Graham (Representada por Meryl Streep), dona do jornal, quer manter o grupo de investidores no conselho e a publicação ou não dos Papeis tem um peso considerável nesse ponto.

Primeiro, falemos de Graham, é possível ver, com obviedade, como o conselho do jornal não quer que ela se mantenha como dona da empresa, não por um motivo plausível que diz respeito a administração, mas pelo fato de ela ser mulher, a cena onde ela entra na reunião e encara uma sala cheia de homens brancos diz muito mais do que aparenta, mostra como ela quase não fala porque eles não deixam e também como o compromisso dela é com a verdade e em todo momento a opinião dela é tratada como inútil, como se os pensamentos da editora não tivessem importância alguma.

Streep está em uma atuação mais uma vez impecável, o tom de voz baixo, porém firme, mostra como ela tem medo de administrar, não pelo trabalho e sim pela necessidade de manter o emprego para conseguir sustentar a família, e brigar todo dia com homens que a acham incapacitada mesmo ela sempre provando que aprendeu como funciona um jornal e como a liberdade de imprensa é importante.

O que nos leva a Ben Bradlee, um editor que inicialmente não esconde a necessidade da noticia explosiva da primeira página, e não com a história que o povo deve saber, mas com o desenvolvimento do filme e com o rumo tomado pelo governo, ele passa a se preocupar não apenas com o já citado, mas também com o futuro da informação, pois o jornal tem um compromisso, e isso fica provado nas cenas onde os repórteres estão organizando os documentos para a matéria, a velocidade e o ímpeto deles em relatar algo que está acontecendo e manter a correta convenção midiática.

Em tempos nos quais tudo é fake news e muitas das vezes não podemos confiar na mídia hegemônica e devemos recorrer a veículos alternativos (em alguns casos, internacionais) para uma visão imparcial das notícias, “The Post” é um manifesto, uma obra que busca o avanço, isso fica bem claro nos movimentos de câmera, que são travellings para frente, na maioria das vezes acompanhando os personagens de perto, de modo a vermos sua expressão quase sempre preocupada, seja com o trabalho ou com a própria vida.

Em sua estrutura, o filme consegue usar bem de suas duas horas de projeção, usando do ritmo mais lento para focar na busca e na apuração da verdade dos documentos em questão, fugindo do episódico e buscando o fluído, seja com os movimentos de câmera citados acima, seja com a constante movimentação dos atores e atrizes quando a câmera está parada, mostrando a necessidade da velocidade.

Logo, “The Post” é uma projeção completa, que cumpre o objetivo a qual se propôs com maestria e domínio, esse filme possivelmente representa a volta do bom Spielberg, o diretor elegante, mas simples, sempre buscando uma forma melhor do público entender a história. Que ele continue assim. 

Um comentário:

  1. Marcelo Alvim Tchelos2 de março de 2018 18:56

    Também gostei assim amigo, comentou muito bem, aplausos, um filme espetacular!!!!!

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