27.2.18

Crítica: A Grande Jogada

A Grande Jogada
Imagem: Diamond Films / Divulgação
Aaron Sorkin é um roteirista com talento para tramas complexas e atuais, com foco em números e/ou economia. Isso fica provado nos filmes escritos por ele, como "A Rede Social" (a história da criação do Facebook) e "Moneyball - O Homem que mudou o jogo" com foco na administração de uma equipe de baseball, sempre investindo em estruturas que fogem dos diálogos bobos, porém contam com outros para a perfeita compreensão do espectador.

Na sua estreia na direção, vemos como essa experiencia nas tramas complexas e atuais o ajudou a criar um filme simples de entender, mas em nenhum momento bobo ou expositivo demais. Em “A Grande Jogada", temos a necessidade da proximidade com o personagem, assim a montagem aposta em alternar cenas entre passado, passado recente e presente, para dar o tempo necessário ao público para a compreensão dos fatos, e essa é decisão correta pois para entender o presente, nada melhor que conhecer o passado.


O passado em questão é o de Molly Bloom (Interpretada por Jessica Chastain), ex-esquiadora devido a um acidente em uma competição, levando a perda da vaga na equipe olímpica. Após alguns anos, ela passa a organizar mesas de pôquer com gente pertencente a alta sociedade e a partir disso se torna milionária e famosa nos círculos mais intrigantes.

Esses círculos são explorados a partir de três pontos diferentes e igualmente abordados pela montagem, no passado, vemos o que podem ter sido as motivações de Molly para tal área de trabalho, no passado recente vemos aquilo que foi feito por ela, ou seja, a organização das mesas, as mesas em si, como ela conseguiu jogadores e o como ela chegou ao presente, no qual ela está sendo acusada de montar mesas ilegais de jogo, onde uma dívida foi contraída com a máfia russa e principalmente, o que ela fez para pagar.

Isso nos leva as brilhantes conversas com o advogado (Idris Elba), no qual este tenta convence-la a aceitar um acordo com o governo. Para isso, são necessárias boas atuações, e é aí que Chastain e Elba entram, pois a construção de personagens realizadas por eles (e pelo roteiro) são ótimas. Vemos como o advogado tem muita coisa em comum com o pai de Molly (representado por Kevin Costner) e assim percebemos que provavelmente esse foi o motivo de ela o ter escolhido para defende-la no tribunal, além disso, Molly também se parece muito com Stella (filha dele), não por personalidade, mas pela criação, que é igual aquela recebida por ela na sua infância e adolescência.

Essa criação, que consistia na obrigação de excelência atlética e acadêmica pelo pai, nos leva a uma das melhores cenas do filme, onde Molly responde perguntas sobre o que ela acha da sociedade e das pessoas. Ela tem razão, a sociedade é uma piada e as pessoas são boas e ruins ao mesmo tempo, isso é confirmado e percebido pela mulher na maneira como ela analisa os jogadores de pôquer levados para os mini casinos, eles são deploráveis, mentirosos e tudo o mais, porém, tem um outro lado neles, corretamente nunca explorado pelo filme e que pode ser bom.

Repetindo o feito dos trabalhos citados no primeiro parágrafo, o roteiro é exemplar, sem nenhum erro ou brecha, desenvolve bem os personagens e a trama, além de levar para a tela o estritamente necessário para o filme, sem rodeios e de maneira direta, objetiva, o certo em filmes de trama complexa baseados em história real. Ainda assim, o terceiro ato tenta resolver tudo de maneira rápida e convencional, o que é, em parte, evitado por Jessica Chastain, devido a construção da personagem feita por ela durante todo o filme. 

Portanto, “A Grande Jogada” é um ótimo filme, com roteiros e atuações impecáveis, que levam ao público uma história complexa, entende que nada é construído sem passado, e é nele onde são encontradas as motivações para o presente, independente de qual seja. 

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