9.7.18

Crítica: Unsane

Unsane
Imagem: Divulgação

Steven Soderbergh sempre se caracterizou por ser um diretor criativo, que tenta (e em geral consegue) trazer novas técnicas em gêneros já consolidados na indústria cinematográfica, ele fez isso nos filmes políticos (os dois filmes sobre a Revolução Cubana, em “Che”), no de ladrões, os filmes da saga “Onze Homens e um Segredo” e novamente, nesse “Unsane”.

Aqui, o gênero que ganha mais ferramentas para usar é o suspense, Sawyer é uma mulher que acaba de se mudar para uma nova cidade, na tentativa de reconstruir a vida e ter um novo trabalho, após ela ter sofrido nas mãos de um stalker incessante e maníaco. Porém, ao passar por uma sessão de terapia e assinar um contrato que a prende no hospital, sem saber o motivo de estar presa, ela é tratada como louca e fica ali, junto com o stalker que a atormentou no passado, empregado do local.


Soderbergh usa de um artificio interessante para criar o aspecto visual do filme, toda a obra é filmada com um iPhone 7 Plus. Justamente a fotografia, as cores e a câmera são os fatores que estruturam a obra em torno da personagem principal e criam o suspense necessário para o funcionamento do filme.

A câmera está sempre próxima dos personagens, criando uma sensação claustrofóbica que faz o público criar empatia com a protagonista, pois se claustrofobia é ter medo de lugares fechados, se sentir preso, Sawyer está justamente passando por essa situação, logo, é como se nós espectadores tivéssemos que nos colocar no lugar dela, para saber de fato o que ela sente.

A fotografia e cores são aspectos mesclados, em geral a projeção é bastante clara, porém, ela sempre remete a cor azul, devido ao stalker se utilizar dessa cor para perseguir Sawyer (através de roupas e acessórios que ela usa), assim, quando vemos a cor azul ou algum indicio dela no quadro (como roupas, mobília, pintura dos quartos), é reforçada a existência do perigo que Sawyer corre e em determinados casos, mesmo nas situações aparentemente sem nenhum risco, o azul serve para deixar o público em modo de alerta.

Assim como a trilha sonora, bem-sucedida em compor as cenas e construir o suspense de cada uma delas. A música, assim como a cor, serve para reforçar o perigo que Sawyer corre e para lembrar o público da atualidade do perigo, da realidade dele e que as redes sociais estão constantemente presentes na projeção.

Claire Foy oferece uma atuação admirável, segurando o filme nos momentos em que Soderbergh perde a mão, “Unsane” demora para criar ritmo e poderia ser mais ágil, principalmente no seu primeiro ato, porém, Foy mantem o público atento, com o jeito acelerado de andar, com o modo decidido de agir e principalmente, com o mistério que cria em torno de sua personagem, revelando-a aos poucos.

Apesar dessa “enrolação”, o novo trabalho de Steven Soderbergh vale a pena, é criativo, atual, traz novas coisas e não faz isso apenas por ter sido filmado em um celular, mas faz isso utilizando uma boa atriz e principalmente, uma boa história.

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