24.9.18

Crítica: Crimes em Happytime

Imagem: DIAMOND FILMS / DIVULGAÇÃO

Fazer um filme noir é difícil, porque há vários aspectos na obra que a tornam variada e a deixam com um estilo fixo, certo e reconhecível de maneira imediata pelo seu público fiel e apesar de não ter alguns deles, como a cor em preto e branco, “Crimes em Happytime” é um filme que faz uma paródia inteligente do gênero citado no parágrafo acima, usando de sua bizarrice para criar sua atmosfera.

Dirigido por Brian Henson, o filme conta a história de Phil Phillips (dublado por Bill Barretta), um fantoche e investigador particular que passa a trabalhar em diversos assassinatos, todos eles têm algo em comum, são pessoas de uma série televisiva de sucesso nos anos 80. Nesse caso, Phillips conta com sua ex parceira na polícia Connie Edwards (Melissa McCarthy).


A obra usa de seu surrealismo, ao misturar humanos com fantoches em uma cidade, para fazer uma paródia de filmes noir consagrados, como “Relíquia Macabra”  (1941) de John Huston, “A Morte num Beijo” (1955) de Robert Aldrich e “Cat People” (1942) de Jacques Tourneur.

Graças a narração em off, aos ângulos utilizados e ao personagem de Phillips, a paródia funciona perfeitamente, dando a clara intenção que o filme tem o propósito de divertir seu público com sua bizarrice.

Por começar dentro de um carro antigo e poucas cenas depois, mostrar o protagonista em seu escritório, fumando e bebendo uísque após conversar com sua secretária e aceitar um caso, vemos como o personagem foi inspirado em Philip Marlowe de “Relíquia Macabra” - inspiração que chega até o nome do protagonista - que faz exatamente o mesmo.

Mas, com as piadas sendo inseridas, a projeção vai desconstruindo essa aura. As gags apenas funcionam devido as atuações principais, de Barretta e McCarthy, que funcionam muito bem ao fazer crescer um roteiro cheio de brechas e previsibilidades na sua história, esse defeito prejudica a narrativa em seu ritmo.

Aqui entramos em um assunto relevante, por mais que a obra tenha o claro propósito de apenas entreter, o roteiro poderia ter funcionado no desenrolar da investigação e em personagens secundários, como uma certa reaparição sem nenhuma explicação válida ou o fato de dizerem que Phillips estava presente em todas as cenas dos crimes para acusá-lo, sendo que, na principal delas, ele não está lá e as previsibilidades prejudicam ao fazer o público, a partir do meio do segundo ato, saber exatamente o que vai acontecer e como o fato vai acontecer, ou seja, um roteiro convencional e com furos.

Por isso, as atuações são tão importantes, são elas que seguram o filme, ao botar fantoches em situações que seriam exclusivamente humanas, como a cena do sexo e a cena da “cocaína”. E claro, pelo ótimo timing cômico da dublagem de Barretta e McCarthy, que contam as piadas de forma a tornar as ocasiões mais inusitadas em naturais para humano ou fantoche.

Assim, “Crimes em Happytime” é um bom filme dirigido por Henson, mas, ele se segura apenas pelo talento de seu protagonista e pela sempre ótima Melissa McCarthy, se tivesse um roteiro melhor, com certeza essa projeção seria muito mais do que uma comédia convencional.

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