6.9.18

Crítica: A Vida em Família

A Vida em Família
Imagem: Divulgação

Na vida, a maioria das pessoas, ou ao menos aquelas que tem sorte, fazem parte de várias famílias, não necessariamente de sangue, como a de um grupo de amigos, a do trabalho (caso raro, porém existente), a da igreja e algumas outras que existem por aí.

Para Pati (Claudio Giangreco), existe a família dos amigos, a de sangue e a da prisão. Preso por um assalto realizado com seu irmão Angiolino (Antonio Carluccio), crime que não correu como o planejado, o homem tem um filho que deseja entrar nesse mundo e uma mulher proprietária de um mercado e envolvida na política da cidade, onde o prefeito Filippo (Gustavo Caputo), não gosta do seu trabalho no governo e quer se tornar um poeta.

Dirigido por Edoardo Winspeare, “A Vida em Família” se desenvolve em cima desses personagens, para mostrar o cotidiano de uma bela cidadezinha no interior da Itália, que por si só, é uma família em si, já que todos se conhecem, se relacionam e, ao menos para as causas principais, se importam um com o outro.



Essas diversas relações familiares são mostradas por um roteiro que sabe como desenvolve-las e como fazer o público entender que tudo ali soa como algo familiar, todos tem vários grupos diferentes no qual se relacionam e que convergem nos momentos devidos, as vezes por motivos particulares de cada pessoa.

Porque se o prefeito mantem um relacionamento com Pati, é porque ele admira a figura do rapaz, por este ter mudado de vida e se dedicado exclusivamente ao que ele gosta, como Filippo gostaria de fazer, se Pati não deixa de falar com o irmão, é pelo amor que sente por ele e se Angiolino muda de vida e não perde a esperança, é por causa do irmão e da sua admiração pelo Papa Francisco, que rende uma cena bem engraçada.

E, por falar em algo engraçado, o filme trabalha muito bem a comédia, com piadas orgânicas que se encaixam no contexto da cidade e no que aquelas pessoas vivem ou tem vontade de viver. Os três atores que interpretam os personagens centrais são competentes e sabem como usar a comédia a seu favor, principalmente Carluccio, que usa do humor físico e da típica agitação italiana para compor o seu papel e fazer piadas com maestria.

Apesar disso, o filme não precisa ter duas horas de duração para funcionar, a obra é efetiva com esse tempo, porém poderia ser melhor se tivesse uns vinte minutos a menos, com 1h30, 1h40 aproximadamente, a projeção teria mais ritmo e evitaria algumas das cenas maçantes, que claramente foram escritas sem um proposito adequado, como a cena inicial e final da lesma e aquela em que o nome da cidade é perguntado por um turista.

“A Vida em Família” é um filme que funciona por divertir de maneira simples, sem soar forçado e por ter aspectos de identificação fáceis com o público, nenhum cinema fala tão bem sobre família como o cinema italiano e o filme de Winspeare faz isso de maneira leve, simples e real.

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