24.10.18

Crítica: 3 Faces

3 Faces
Imagem: IMOVISION / DIVULGAÇÃO
Jafar Panahi é um diretor que sabe como usar a sociedade de seu país para criar um filme e uma história, ao mesmo tempo em que faz um panorama interessante sobre essa sociedade, seja nas cidades grandes, como Teerã, ou em vilas pequenas, como essa de seu novo trabalho, “3 Faces”.

O filme conta a história da atriz Behnaz Jafari, quando esta recebe um vídeo que mostra uma menina se suicidando. O vídeo foi gravado pela própria garota e a atriz desconfia que o vídeo pode não ser real, ou seja, que a menina ainda está viva. Para descobrir isso, ela e Jafar Panahi, vão até a vila onde a família da menina mora, encontrar os parentes e falar com os moradores.

Assim, acompanhamos os dois na vila e na busca pela verdade. Panahi usa o roteiro para abordar a história com gêneros diferentes, o documentário, ao retratar uma vila real, com os seus próprios moradores e o drama, que é a sinopse escrita no paragrafo anterior.

Para isso, o diretor foca nas mulheres – como é recorrente em sua obra – e conta a história a partir da liberdade feminina, usando os diálogos para percebermos como as mulheres daquela história se ajudam e não se deixam desistir, mesmo que tenham suas liberdades cada vez mais limitadas.

Logo, a liberdade feminina é como Panahi realiza a sua reflexão da sociedade iraniana, usando movimentos de câmera calmos e evitando, o máximo que pode, os cortes secos, para que o público se sinta de fato dentro da pequena aldeia onde o filme se passa. Os ângulos usados nas cenas dentro do carro, também são uma tática que servem para evitar os cortes, escolhendo mostrar apenas um dos participantes da conversa, ou seja, usa o ponto de vista subjetivo, como se nós fossemos o outro participante, isso também foi feito em “Taxi Teerã” (2015).

As 3 Faces do título, podem ser tanto essa liberdade, a vida e a morte, ou Panahi e as duas mulheres que são as protagonistas na obra, usando o tempo como fator, já que vemos apenas dois dias daquela busca e de Panahi e Jafari conhecendo a vila e as pessoas. Devido a essa realidade, pode ser que inconscientemente, Panahi tenha feito uma homenagem a Abbas Kiarostami, outro diretor iraniano, que faleceu recentemente, autor de uma trilogia que se passa em uma vila e se baseia na vida de um menino após um desastre natural acontecer, porém, nesses filmes, são anos que o público acompanha na vida das pessoas.

Apesar de tudo isso, “3 Faces” não explica em nenhum momento as dúvidas que Jafari tem sobre como o vídeo que ela recebeu foi feito, mas, Panahi cria novamente um retrato da sociedade que vive e do país que ama, falando com aqueles que de fato são o país: as pessoas que nele moram.

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