25.10.18

Crítica: Trinta Almas

Trinta Almas
Imagem: MOSTRA SP / DIVULGAÇÃO
O cinema dá espaço para todos os tipos de expressão de ideias, inclusive, aquelas que são mais contemplativas, que buscam realizar uma reflexão sobre o ciclo da vida, a importância da natureza para o mundo, para a sociedade e abordar culturas distintas, para que o público passe a conhecer cada vez mais outros lugares.

Dirigido por Diana Toucedo, “Trinta Almas” é um exemplo coeso de como unir a contemplação e a reflexão, tendo objetividade no que deseja mostrar e mesmo não sendo tão dinâmico, a obra prende o público por tratar o ciclo da vida de uma forma curiosa.

A história contada é a de uma família, que vive em uma fazenda e trabalha nela, desde os parentes mais velhos até as crianças, com foco em Alba, uma menina de 13 anos, que acredita ver espíritos de pessoas que morreram há muito tempo. Toucedo usa a luz natural e planos abertos para usar a natureza como personagem, já que a preservação (ou não) do ambiente, também é um assunto do filme.

Alba acredita que existe um intercâmbio entre a natureza e as pessoas e que esse é o motivo de ela e outras mulheres de sua família conseguirem ver os espíritos em questão. Para expor esse mutualismo, Toucedo investe em planos contemplativos da natureza, como deixa claro nas cenas da floresta, das passagens de estação, da chuva, para que o público veja o processo descrito por Alba acontecendo.

Logo, no filme quase não são usados movimentos de câmera, mantendo-a estática, porém, os cortes também são usados em raros momentos, ele é inserido apenas quando a cena muda de lugar. Essas mudanças de lugar acontecem quando a história vai de um personagem a outro, no caso, de Alba para a irmã mais nova e desta para a avó, expondo o ciclo da vida e algumas das fases em pessoas diferentes.

Além desse ciclo, também é mostrado as fases do intercâmbio que Alba diz acontecer, primeiro é a fase da natureza, exposta pelos planos contemplativos descritos em um dos parágrafos acima, depois  essa natureza sendo transformada em força de trabalho, como podemos observar pelos serviços da fazenda, desde a retirada do leite da vaca, até o corte da lenha e por fim, a natureza tomando isso de volta, através da morte das pessoas, de certa forma, sintetizando a vista dos espíritos pelas mulheres da família.

Ou seja, mesmo com a falta de dinamismo, a obra funciona, mas, ainda assim, o filme poderia ter um personagem principal de fato, com a história acontecendo ao redor dele, para que o espectador conseguisse captar melhor os simbolismos através de diálogos e não de planos contemplativos, que em certos momentos são inúteis.

Logo, apesar de lembrar o simbolismo que o diretor mexicano Carlos Reygadas usa em seus filmes, “Trinta Almas” é uma projeção que deixa a desejar pois não conquista o seu público e não faz questão disso, mesmo que tenha uma história interessante de vários pontos de vista.

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