24.10.18

Crítica: Gutland

Gutland
Imagem: DIVULGAÇÃO
Há filmes que constroem uma narrativa surreal com base em uma narrativa real, criando uma obra realista, mas com toques interessantes de fantasia. Esse é o caso de “Gutland” obra que conta uma história intrigante e que faz o público se sentir curioso até o seu final.

Dirigido e escrito por Govinda Van Maele, o representante de Luxemburgo ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2019, conta a história de Jens (Frederick Lau). Recém-chegado a uma pequena vila Luxemburguesa, ele tenta recomeçar a vida trabalhando na colheita e usa isso para continuar fugindo da polícia, após um roubo de grande porte na Alemanha. Ele se envolve com Lucy (Vicky Krieps de Trama Fantasma), uma companheira de trabalho na fazenda.

O filme é dividido com base nesse recomeço de seu protagonista, o primeiro ato é concentrado em mostrar a chegada dele a vila e a sua nova rotina, expondo seu passado e estabelecendo as relações dele com o patrão, com o maestro da banda para qual passa a tocar e principalmente com Lucy.

Esta relação define a consolidação dele na sociedade, com amigos, namorada, se dando bem com as pessoas na cidade e acostumado a nova rotina – reparem nas mudanças de corte de cabelo, barba e higiene pessoal - , com o trabalho de colheita realizado na fazenda. Neste segundo ato, a projeção investe em planos abertos, de modo a destacar a paisagem do local e alterna estes planos com planos fechados, nas cenas mais intimistas, para expor os sentimentos do casal protagonista e a liberdade feminina, pois a personagem de Krieps é uma mulher que faz questão de comandar a relação e manter sua vida particular, seu trabalho e lutar contra qualquer coisa que considere o impedimento a isso que venha da parte de Jens.

Isso faz parte do terceiro ato, já que Jens descobre como aquela vila funciona de fato, porém, não é o que domina o clímax e o desfecho da obra. Isso fica a cargo da relação sexual e da influência que esta tem nas pessoas, dominando todos de tal forma, que faz os moradores transformarem algo natural em uma relação de poder e não em um ato que pode dar prazer. Isso é mostrado ao longo do filme de forma mais inconstante, com muitos cortes e poucos movimentos de câmera, para dar ritmo a narrativa, aliado a fotografia que usa a alternância entre planos abertos (como dito acima) e claros com planos fechados e escuros.

As atuações, tanto de Lau, como de Krieps são coesas e expõe todo este contexto social de forma simples e gradual, crescendo na medida em que a história avança e mudando junto com esta, no caso de Lau, o personagem muda com a adaptação dele a nova vida, já com Krieps, a personagem muda com a percepção, cada vez mais constante, de que Jens está cada vez mais próximo de ser dominado por ela e pela vida que ela quer que ele leve.

Portanto, “Gutland” forma, com seus dois personagens principais, um retrato social interessante, mostra como o sexo pode dominar uma sociedade e fazer uma pessoa não acostumada ao sistema vigente, mudar de forma abrupta apenas pela convivência constante.

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