28.10.18

Crítica: A Árvore dos Frutos Selvagens

Imagem: MOSTRA SP / DIVULGAÇÃO
Diretor bem sucedido e de estilo que prioriza a técnica e os diálogos, Nuri Bilge Ceylan, tem em seu novo filme, “A Árvore dos Frutos Selvagens”, sua obra com mais cortes secos, talvez uma mudança de estilo para gerar dinamismo, mas, talvez seja uma tentativa de mostrar o cotidiano de uma cidade, estabelecendo as discussões familiares do seu protagonista de forma mais lenta.

Com suas três horas e oito minutos de duração, o filme acompanha Sinan (Dogu Demirkol), um jovem sem perspectiva, recém formado na faculdade. Autor de um livro que busca publicar, vemos como esse rapaz lida com os aspectos da vida adulta, ao mesmo tempo em que vemos a relação dele com o pai Idris (Murat Cemcir) e com a cidade em que vive.

Os cortes secos, citados no primeiro parágrafo, são a ferramenta utilizada para gerar ritmo e construir as cenas mais longas, com planos longos que duram aproximadamente (para mais ou para menos) 20 minutos cada. Essas cenas, são os debates de Sinan com as pessoas da cidade, seja com o novo líder religioso do local, com o pai e também com ele mesmo, expondo os anseios do jovem buscando ser alguém na vida.

Porém, apesar de ele buscar sucesso, sua personalidade difícil, o fato de ele se achar superior aos outros e não querer ter perspectiva, torna complicado que o público crie empatia com o personagem e levando em consideração que ele é o protagonista de um filme longo, o espectador precisa gostar pelo menos um pouco do personagem principal para que a obra funcione.

Então, apesar das discussões sobre religião, família e decisões essenciais que todos nós em algum momento, mas não nas mesmas circunstâncias, temos que tomar na vida, o filme se torna enfadonho e nem os diálogos muito bem construídos e as construções de cenas que são calmamente estabelecidas, tiram o filme do mesmo ritmo lento.

Ainda assim, o roteiro é muito bem escrito e a obra é muito bem dirigida, trabalhando essas discussões sobre temas variados, mesmo depois de passado muito tempo que elas aconteceram, principalmente as que envolvem Sinan e Idris, as melhores cenas do longa, graças a atuação de Murat Cemcir, que cria complexidade em como ele ama e como demonstra esse amor para sua mulher e filhos, mas que não deixa dúvida que ele, de fato, ama aquelas pessoas, independente do que acontecer entre eles.

Logo, talvez a árvore dos frutos selvagens não seja apenas o título do livro que Sinan escreve, mas também se refira a como aquela família é uma árvore que gera frutos difíceis de colher, o pai que ama a família, apesar de não ser perfeito, deu origem a um filho arrogante, ou seja, o pai é a árvore do filho, em compensação, também pode ser as pessoas que vivem na cidade, perto das diversas árvores frutíferas que tem ali.

Portanto, “A Árvore dos Frutos Selvagens” é um filme interessante, mas que poderia ser melhor, principalmente porque as discussões que acarreta são pertinentes e se encaixam na vida de quase todas as pessoas, independente do tamanho da cidade em que nós vivemos.

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