30.10.18

Crítica: Vidas Duplas

Vidas Duplas
Imagem: MOSTRA SP / DIVULGAÇÃO
Olivier Assayas trata de temas diversos, como foi possível perceber em seu último filme “Personal Shopper”, onde aborda a religião, no caso, o espiritismo. Ou seja, vemos um diretor variado, que gosta de mudar de temáticas, do desafio. Assim, seu novo filme ser uma comédia romântica, não surpreende, pelo contrário.

“Vidas Duplas” conta a história de um grupo de pessoas, todos envolvidos com arte de alguma forma, um é editor de livros, outro é escritor, uma mulher é atriz e a outra trabalhou com literatura e atualmente é diretora de campanha de um candidato. O filme se desenvolve nesses arcos, nas discussões sobre a presença de tecnologia na sociedade e nos casos extraconjugais que são mantidos pelo editor e pelo escritor.

A obra consegue estabelecer bem a história, construindo diálogos interessantes com base nas profissões dos personagens, principalmente aquelas que envolvem os livros impressos contra os livros digitais.

O filme ganha qualidade nessas cenas, pois, ao usar os personagens na sua zona de conforto, ou seja, nas suas profissões, estabelece sequências de humor orgânicas, com piadas sobre as atualidades tecnológicas e como elas influenciam nosso mundo.

Porém, ao ter uma montagem convencional, poucos movimentos de câmera e apostar exclusivamente no elenco e nas piadas para o filme funcionar, a projeção se torna previsível, pois sabemos o que vai acontecer e como os fatos vão se desenrolar, mesmo que o diretor faça o possível para surpreender o público.

Até porque, convenhamos, nem toda atriz é Juliette Binoche, que faz de qualquer papel bobo, algo minimamente aceitável, Selena é a melhor personagem do filme graças a atriz, que faz milagre com um roteiro comum, em compensação, do lado masculino, Guillaume Canet, constrói e desenvolve bem seu papel, mesmo que tenha um relativo pouco tempo de tela.

Talvez, se “Vidas Duplas” tivesse um elenco um pouco mais funcional, a ideia de Olivier Assayas tivesse dado certo, exatamente como ele tinha planejado, mas, com um elenco que apenas metade dele funciona, o filme passa o tempo inteiro uma sensação de vazio e suas quase duas horas de duração se tornam enfadonhas e penosas ao público, mesmo para aquele que só busca entretenimento quando vai ao cinema.

Assim, a projeção funciona por parte de seu elenco, o roteiro é convencional, os cortes secos são frequentes e uma decisão duvidosa quanto a ritmo e mesmo com a boa direção de um roteirista e realizador muito talentoso, “Vidas Duplas” é um filme como outro qualquer, divertido enquanto o assistimos, esquecível logo depois que saímos da sala de cinema.

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