18.10.18

Crítica: Um Noir nos Balcãs

Um Noir nos Balcãs
Imagem: AdoroCinema / DIVULGAÇÃO


Ao ler uma sinopse de um filme como “Um Noir nos Balcãs”, podemos imaginar uma obra simples, linear e apenas com o objetivo de entreter o público, sem se preocupar com inovações de qualquer tipo. Porém, nas curtas 1h10 de duração, o que assistimos é algo totalmente atípico.

E isso não é ruim, muito pelo contrário, dirigido por Drazen Kuljanin, acompanhamos a história de Oskar e Nina, um casal sueco que enquanto estavam passando férias em Montenegro com sua filha, esta desapareceu, ele seguiu em frente na vida, ela nunca parou de procurar e volta ao local do acontecido quando Nicola, um policial que continua investigando, encontra uma nova pista.




A fotografia do filme, o roteiro muito bem escrito pelo diretor (que também produziu a obra) e a montagem alternada, fazem a projeção ser complexa e fugir do padrão de filmes de ação, usando a vingança como força motriz para estabelecer o ritmo e os enquadramentos.

Principalmente no que diz respeito a Nina, os enquadramentos são frequentemente atrás de vidros, janelas ou com algum tipo de divisão, seja do próprio local onde a cena se passa (como a cena na sala de interrogatório) ou que o filme insere na pós produção, por exemplo, no momento onde o casal está junto no quarto, lendo o último capítulo do livro que eles escreveram.

Unido a isso, está a câmera bem próxima aos personagens, usando bastante primeiro plano (close up) e plano americano (acima dos joelhos). Isso serve para mostrar os sentimentos dos personagens, Nina apenas quer sentir algo, mesmo que esse algo seja dor, para lembrar da filha, por isso em certos momentos ela se auto inflige dor, Nicola ajuda o casal por vingança e por ter perdido a esposa há alguns anos e não podemos esquecer dos quadros pequenos com o rosto de um bebê inseridos em certos momentos do filme, para expor como Nina e Nicola nunca deixam de pensar na menina desaparecida.

As cenas são em sua maioria escuras e nesse aspecto, é interessante perceber como essa escuridão ajuda a obra em seu ritmo, pois o clima frio dos países onde o filme se passa, leva os personagens a fumarem constantemente. O diretor usa isso para estabelecer divisão entre os arcos e passagens temporais não lineares (montagem alternada), a obra vai se desenrolando na medida em que os protagonistas fumam ou quando as propagandas norte americanas de cigarro passam na televisão.

Esse aspecto também está presente no roteiro, que usa essas divisões para desenvolver os arcos que se propõe logo no início, com diálogos inteligentes e falas que chocam, tanto pela força quanto pela verdade que elas contém, por exemplo, quando Nina diz, logo no começo “mulheres que perdem maridos são chamadas viúvas, maridos que perdem mulheres são chamadas viúvos, filhos que perdem pais são chamados de órfãos e pais que perdem filhos não tem nenhuma palavra com a qual eles são chamados, é difícil descrever como me sinto sendo que nem palavra para isso existe”.

Assim, “Um Noir nos Balcãs”, é um filme bem dirigido, complexo, instigante e que apresenta o melhor dos dois mundos no cinema, inova ao mesmo tempo em que consegue entreter, agradando todos os tipos de público.

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