23.10.18

Crítica: Eu não me importo se entrarmos para a história como bárbaros

Eu não me importo se entrarmos para a história como bárbaros
Imagem: MOSTRA SP / DIVULGAÇÃO
Um filme como “Eu não me importo se entrarmos para a história como bárbaros”, é uma obra metalinguística bem-feita e a luta da protagonista Mariana Marin, mostrada em forma de documentário, é uma forma de metalinguagem diferente, mas efetiva.

Dirigido por Radu Jude, a obra que foi escolhida para representar a Romênia no Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, conta a história de Mariana (interpretada por Iacob Ioana), uma diretora de teatro que decide encenar um dos períodos históricos mais duros do seu país, o holocausto romeno, no caso, a moça escolheu como objeto de trabalho o massacre de Odessa, que ocorreu em 1941.


A projeção mostra os bastidores e os ensaios da peça, fazendo isso com a câmera quase sempre na mão, para gerar empatia no espectador e principalmente, para entendermos o real objetivo de Mariana, que é o de fazer o povo refletir sobre um erro cometido na guerra.

Para isso, a escolha de usar civis como elenco é algo admirável, pois, com essa decisão, é mais fácil começar uma difícil discussão com o povo romeno, até porque, aparentemente – o filme não deixa isso claro – a sociedade do país não reconhece o erro que a personagem principal quer abordar.

Ela também quer instruir o povo sobre esse fato e como ele foi um erro, mas que pode ser reparado através da reflexão, assim, ela também estuda o tempo inteiro e é paciente na maioria das discussões e provocações que aguenta nos ensaios, muitas destas são apenas por ser mulher, outras são de cunho mais político e baseadas em filosofia.

O roteiro, escrito pelo próprio diretor, é dividido em três partes, os ensaios, que compõem todo o primeiro ato e parte do segundo, os estudos e pós-produção da peça, que fazem parte do segundo ato e a peça finalizada, que é o ato final, ocupando quase 40 minutos do filme.

Mesmo na peça finalizada, os planos predominantes de enquadramentos são os americanos e médios (um do joelho para cima, outro da cintura para cima), com a câmera sempre próxima, na mão, seguindo os personagens com calma e destacando a trilha diegética, com sons exclusivamente da narrativa, como, por exemplo, os gritos dos atores nos ensaios e o barulho dos carros enquanto os ensaios ao ar livre acontecem.

Porém, duas horas e vinte minutos de filme é muito longo para tal obra, algumas cenas poderiam ser cortadas, como aquela longa discussão entre Mariana e o responsável da cultura na prefeitura, ou, alguns dos testes feitos na pós-produção, como o de efeitos visuais.

Apesar disso, a Romênia tem um representante digno para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, “Eu não me importo se entrarmos para a história como bárbaros” é um filme bem dirigido e conta uma história envolvente, que sabe o que quer e do que é capaz de fazer no aspecto fílmico.

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