21.10.18

Crítica: A Rota Selvagem

Imagem: Diamond Films / DIVULGAÇÃO

Falar de “A Rota Selvagem”, é falar de um road movie com toques de drama, mas que tenta trabalhar algumas temáticas e não consegue devido a sua duração, longa demais para tal gênero e por nunca convencer o espectador que o ciclo de vida de Charley (interpretado por Charlie Plummer), vai ser quebrado, como o rapaz de 16 anos acredita.

Dirigido e escrito por Andrew Leigh, a obra segue Charley, o jovem passa a trabalhar para Del (representado por Steve Buscemi), um dono de cavalos de corrida, que coloca seus animais para correrem em várias cidades dos Estados Unidos. O pai de Charley morre e Del após ver seu cavalo Lean On Pete perder mais uma corrida, decide manda-lo para o abatedouro, porém, Charley foge com o animal e vai procurar a tia, sua única parente.


A obra usa as relações de seu protagonista com o cavalo e com as pessoas, para expor uma sociedade que não se importa uns com os outros e conta a história cíclica do adolescente, que tenta a todo custo construir relações e apego com as outras pessoas, principalmente após a morte do pai.

Porém, ao usar uma fotografia plana e uma montagem convencional, o filme se torna pobre tecnicamente, se tornando enfadonho ver por duas horas de duração, Charley tentando quebrar um ciclo de más companhias. Ora, o pai era briguento e alcoólatra, Del é exatamente o mesmo, com o adicional de ser abusador de animais e Bonnie (jóquei interpretada por Chloe Sevigny) é falsa, pois apesar de dizer que gosta dos cavalos, abusa deles tanto quanto Del, como a cena da trapaça na corrida deixa bem claro.

Charley não é nada disso, porém, se relaciona com essas pessoas porque enxerga esperança nelas e a todo o tempo prova esse sentimento ao público, através de suas dúvidas, de suas atitudes – ele é o que cuida melhor de todos os cavalos – e tenta, através de seu amor por Pete, demonstrar que o mundo ainda não está perdido, que há esperança no fim do túnel.

Mas, ver a amizade de um jovem e de um cavalo não sustenta o filme todo e o público sente um vazio, seja porque o roteiro mantem a qualidade até o fim da primeira hora aproximadamente, ou porque Charlie Plummer não consegue segurar a obra com sua atuação, sendo assim, os planos em que apenas ele aparece com o cavalo, em silencio, são inúteis, fora que é inverossímil um menino, sem nenhum dinheiro, sobreviver tanto tempo no meio das estradas estadunidenses.

Talvez, “A Rota Selvagem” funcionasse melhor se fosse mais curto, ou se o ator principal fosse um pouco mais expressivo, a única certeza que o filme dá ao público é que ele tem potencial, mas, poderia ser bem mais efetivo.

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