22.10.18

Crítica: Tragam a Maconha

Tragam a Maconha
Imagem: MOSTRA SP / DIVULGAÇÃO
Os “mockumentaries”, são gêneros criados para parodiar os documentários, usando assuntos sérios, ou ao menos premissas sérias, para criar humor, comédia e as vezes, abordar temas de formas mais irreverentes para torna-los palpáveis.

Possivelmente, “Tragam a Maconha” é o exemplo perfeito para quem nunca viu um filme desse gênero e quer começar a ver. Denny Brechner (um dos diretores e roteiristas, junto com Alfonso Guerrero e Marcos Hecht, este último apenas roteirista) interpreta Alfredo, que decidiu criar uma “Câmara da maconha legalizada” e ir para os Estados Unidos com sua mãe, para transportar a droga de lá até o Uruguai, onde o uso para fim recreativo foi legalizado, antes de eles começarem a produzir no próprio país.


Essa câmara é ficcional, a missão de Alfredo e sua mãe, é se encontrar com várias autoridades para realizar o objetivo dito no parágrafo acima, para isso, eles contam com o apoio de José Mujica, presidente do país na época de filmagem.

O Mockumentary usa uma montagem cheia de cortes secos para gerar ritmo, assim, as uma hora e quinze de duração são movimentadas, com ótimas piadas e a criação de excelentes situações cômicas.

Situações essas que contam uma história, ao mesmo tempo que fazem uma contextualização sobre a legalização da maconha no Uruguai e no mundo, servindo para informar e fazer o público criar uma opinião, seja esta a favor ou contra, sobre o assunto.

O filme, parece sério o tempo todo, mas tem doses de humor na medida certa, Alfredo, muito bem interpretado por Brechner é um personagem que facilita a empatia, por ser caricato, engraçado naturalmente, assim como sua mãe, interpretada por Talma Friedler, esta última, estabelece muito bem a relação entre mãe e filho, mesmo em uma situação atípica como a narrada.

Graças ao dois e a essa relação, tudo aquilo pode parecer que de fato, é realmente verdadeiro e que aquelas pessoas querem mesmo transportar aquela quantidade de droga, porque tudo é tão bem feito, que - imagino eu - até as autoridades entrevistadas parecem estar acreditando naquilo.

É aqui que abordamos as reuniões, que passam por várias pessoas, desde usuários de maconha em uma grande convenção em Denver (primeira cidade a legalizar a maconha para fins recreativos nos Estados Unidos), até o embaixador do Uruguai, esta sequência, é a mais engraçada do filme, tanto pela verossimilhança, quanto pela atuação de Friedler, que está sob o efeito da droga por engano, sabendo da reunião mais importante da campanha.

Portanto, “Tragam a Maconha” é um filme que cumpre seu objetivo de maneira engraçada, com atuações efetivas, cortes bem feitos, direção e roteiro concisos, sem esquecer, claro, de construir uma história tão surreal, que pode soar como real a qualquer momento.

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