28.2.19

Crítica: Calmaria

Calmaria
Imagem: DIAMOND FILMS
As vezes, quando se tem uma ideia, a pressa em executá-la é tão grande e se torna tão dominante, que aquilo que se pensou como um ponto de partida, acaba se tornando algo ruim, apenas pelo seu mal desenvolvimento.

Infelizmente, esse é o caso de “Calmaria”, filme dirigido por Steven Knight e estrelado por Matthew McConaughey e Anne Hathaway. A história se passa em uma cidade de pescadores chamada Plymouth e a trama acompanha Baker Dill, personagem de McConaughey.

Ele é um pescador que tem como principal objetivo conseguir um atum, o qual tenta pegar há anos. Até o momento em que Karen, personagem de Hathaway, sua ex mulher, volta e faz a seguinte proposta: ele mata o atual marido dela, um homem abusivo e violento, em troca, ele pode voltar a ver seu filho, Patrick e ganha 10 milhões de dólares, dinheiro que usaria para pagar suas dívidas.

A breve sinopse nos revela um filme de ação convencional, mas, a partir do meio do segundo ato, a obra tenta mudar a história, transformando toda a trama em um jogo eletrônico criado por Patrick.

Como ideia, isso é excelente, principalmente porque com a fotografia que é muito bem feita, alternando a escuridão dos ambientes urbanos com a luz natural dos ambientes externos, juntamente com as cenas do barco, cria um efeito de luz e sombra bem interessante, que serve até como descrição do personagem principal.

A edição, também ajuda, já que os cortes secos e bem encaixados contribuem para o ritmo da obra, fazendo da projeção um objeto fílmico dinâmico e contínuo, sempre avançando e nunca retrocedendo na trama.

Porém, o roteiro não desenvolve essa ideia do jogo da forma adequada, ele a coloca no filme de maneira forçada e abrupta, não dando o tempo suficiente para que se desenvolva natural e organicamente, fazendo o espectador pensar em coisas que não fazem sentido dentro da história e até dando conclusões finais mesmo que o filme ainda não tenha acabado.

Se tivesse sido tratada como a ideia principal, com Patrick como protagonista e Baker como personagem secundário, o filme seria, provavelmente, menos linear, manteria o dinamismo já existente e com a fotografia que funciona e o bom elenco, seria uma projeção efetiva e longe do convencional, de certa forma até próxima da fantasia.

Por falar no bom elenco, o filme nos dá uma ótima performance de McConaughey, que mesmo com o seu desempenho prejudicado pelo corte final da obra, consegue construir um personagem multifacetado e adequado para o papel. McConaughey, que já esteve em projetos que não eram os melhores filmes do mundo, hoje sabe escolher filmes que o desafiem e nunca está no piloto automático, mesmo interpretando um personagem estereotipado

Em compensação, Hathaway é prejudicada pelo roteiro que não aproveita o seu papel da melhor forma, de maneira que a multifacetação que sua personagem poderia trazer, é jogada no lixo, sem esquecer do estereótipo de Karen, que ainda é bem frequente nos filmes.

Por mais que o roteiro seja bom, mesmo com o erro citado, ainda sobram certas brechas na trama e nem todos os arcos criados foram fechados, como o do imediato de Baker, interpretado por Djimon Hounsou.

Logo, “Calmaria” é um filme com potencial absurdo, infelizmente mal aproveitado por um diretor que sabe o talento e o material que tem na mão, mas que não o utilizou da forma devida, seja pelo corte final ou pelo roteiro que não sabe aproveitar o melhor que tem dentro de si.

Veja o trailer aqui, o filme é distribuído pela Diamond Films:

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