11.4.19

Crítica: After

After
Imagem: Diamond Films / DIVULGAÇÃO
Em dado momento de “After”, uma personagem faz uma pergunta “Alguém já leu ‘Orgulho e Preconceito’”? e a partir disso, passei a me lembrar do livro de Jane Austen e no fim do filme, cheguei à conclusão que a adaptação do livro de Anna Todd para o cinema é uma releitura moderna do clássico da literatura.

Nossa Elizabeth Bennet, no filme dirigido por Jenny Gage, é Tessa (Josephine Langford), que acaba de sair da casa da mãe Carol (Selma Blair) para ir a faculdade. Lá, ela conhece Steph (Khadijha Red Thunder), sua colega de quarto e seu grupo de amigos. Entre eles está Hardin Scott (Hero Fiennes-Tiffin) por quem se apaixona.

O filme apesar de ter uma estrutura razoavelmente coesa, não tem um roteiro bom, o que faz a obra ser cheia de defeitos técnicos. Junto a isso, a história do filme é ruim, até mesmo para o padrão de romances adolescentes, já que o filme apresenta uma romantização de um homem machista.

Hardin é basicamente um Sr.Darcy de iPhone. Ele é tão inteligente que chega a ser prepotente, tratando Tessa como burra em certas situações, a “ousadia” dele, como na cena do lago, é recompensada pelo romance com a jovem e vemos que isso é algo recorrente na vida do rapaz.

Já que o mal comportamento dele é constantemente recompensado: ele está matriculado na faculdade, porém, como seu pai é o reitor, ele raramente vai as aulas. Ele trata os amigos mal, mas, ainda continua tendo suas amizades e claro, todos os envolvimentos amorosos que ele teve são uma recompensa por si só.

Tudo isso é mostrado por um roteiro que se esforça em tentar, mas não consegue nunca ser efetivo, devido a fotografia, pois o filme é escuro sem nenhum motivo para tal, aos personagens que não são desenvolvidos o suficiente – Porque Hardin quis ficar com o pai, mesmo com o comportamento do pai com a mãe dele, sendo que a mãe está viva? – Steph foi esquecida, assim como o namorado de Tessa, Noah e vários outros exemplos.

No caso, talvez isso se explique por essa releitura de “Orgulho e Preconceito”, Steph seria a irmã mais velha? Noah seria a representação de algum dos pretendentes que Bennet e a irmã tiveram? Tessa seria uma Elizabeth Bennet melhorada, já que busca se livrar de suas amarras e Hardin seria um Sr.Darcy mais ridículo.

Inclusive, Fiennes-Tiffin se esforça em fazer sua construção de personagem parecer com a de Matthew MacFadyen na adaptação cinematográfica de “Orgulho e Preconceito”. O mesmo tom de voz grosso, a mesma aura misteriosa e até certas repetições de comportamento, principalmente os abusivos, como, por exemplo, Hardin dizer que “eu não namoro”, sendo que claramente ele namora uma das amigas, além de ser desonesto é errado com várias pessoas.

Porém, além de não ser nada original, Fiennes-Tiffin, não tem nenhuma expressão e não convence no papel, sendo mais um estereotipo clichê de filmes do gênero. Josephine Langford tenta, mas não é nada plausível Tessa gostar de um cara como Hardin e o resto do elenco nem tem tempo de tentar algo, já que os arcos deles são esquecidos como a narração em off.

Não posso esquecer de mencionar todo o assédio existente na relação dele com Tessa, o desprezo com o qual ele a trata, como se ela fosse um objeto e como se ela fosse menos inteligente que ele. Sendo que todo o relacionamento deles é tóxico, devido não só a esses comportamentos, mas a personalidade de Hardin.

Assim, ao tentar contar uma história cheia de coisas erradas, as quais nem metade foram escritas aqui e romantizar atitudes machistas, “After” mostra tudo aquilo que devemos não ser em um relacionamento.

É, talvez nesse último ponto, sirva para alguma coisa.

Veja o trailer aqui, filme distribuído pela Diamond Films:
 

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