18.4.19

Crítica: O Último Lance

O Último Lance
Imagem: CineArt Filmes / DIVULGAÇÃO
Ao começar “O Último Lance”, reparamos como o mundo da arte é duro independente de quanto tempo a pessoa está envolvida no ramo, já que, mesmo sendo um negociante bem estabelecido de pinturas e outras antiguidades, Olavi (Heikki Nousianen) não enriqueceu e tem várias dividas que não consegue quitar.

Mesmo com mais de 70 anos, ele não consegue abandonar o trabalho e encontra finalmente uma esperança, um quadro, aparentemente nem um pouco valioso, mas que Olavi tem certeza que vale muito mais do que o preço pelo qual está sendo leiloado. Assim, ele decide fazer de tudo para compra-lo.

Dirigido por Klaus Haro e escrito por Anna Heinämaa, a obra acompanha essa busca de Olavi, enquanto ele tenta se livrar das dividas e se reaproximar de sua filha e do seu neto Otto, um jovem de 15 anos que passa a fazer um estágio na loja do avó e o ajuda em relação ao quadro tão desejado.

A fotografia escura da obra, principalmente nas cenas que acontecem em ambientes internos, ajudam a envolver o público dentro da vida de Olavi, que é tão escura quanto a luz de sua loja, unicamente por culpa dele mesmo. Porém, o filme mesmo nas cenas externas mantém os tons sóbrios, frios e em nenhum momento, até nas cenas com o neto, isso muda.

Talvez, essa decisão seja para expor como o mundo da arte, independente da arte, é um ambiente que pode ser muito hostil de vez em quando e para o protagonista, que não consegue vender quase nada, é especialmente difícil se manter nisso, mesmo amando pintura, o ambiente de leilões e sendo um estudioso.

Ambiente de leilões que é muito bem transmitido pela montagem do filme, que aposta no dinamismo para expor de maneira fiel a velocidade em um leilão, através de cortes secos que trabalham a noção de profundidade de campo e espaço, além de contribuir para aumentar a tensão, ficamos pensando “será que ele vai conseguir comprar o quadro?”.

Graças a essa construção de ambiente o filme funciona da forma que é planejado, pois a realidade crua e um pouco escura da fotografia aliada ao ritmo dinâmico, envolve o espectador e o deixa curioso para saber o que vêm a seguir na trama, seja em relação ao quadro ou no que diz respeito ao arco familiar do personagem principal.

Isso faz com que o roteiro, um pouco convencional, seja deixado um pouco de lado no que diz respeito a qualidade, já que ele cumpre o seu papel: fechar os arcos que cria e não deixar nenhum tipo de furo. Porém, se “O Último Lance” tivesse um roteiro um pouco mais ousado, talvez fosse bem melhor do que é.

Ainda assim, vale a pena conferir, principalmente se você se interessar nem que seja um pouquinho sobre o mercado de arte, pinturas e claro, entender como o amor por algo pode ser decisivo em relação as nossas vidas pessoais.

Veja o trailer do filme, distribuído pela CineArt Filmes:

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