13.5.19

Crítica: A Espiã Vermelha

A Espiã Vermelha
Imagem: Califórnia Filmes / DIVULGAÇÃO
Filmes de espionagem raramente tem mulheres como protagonistas de suas tramas, sendo que elas costumam ser apenas as acompanhantes de homens que conseguem fazer tudo e resolver qualquer desafio que apareça pela sua frente.

Por isso, a adaptação do livro “A Espiã Vermelha” escrito por Jennie Rooney é algo ousado. Dirigido por Trevor Nunn e escrito por Lindsay Shapero, o filme conta a história de Joan (Judi Dench / Sophie Cookson), uma física inglesa que na época da guerra, passou informações sobre projetos atômicos para a União Soviética.


Nos anos 2000, mais velha e já aposentada, ela é levada para interrogatório sobre sua espionagem e assim, acompanhamos a história dela via flashbacks, onde conhecemos Leo (Tom Hughes), o comunista que a envolve com espionagem e Sonya (Teresa Srbova) prima dele, amiga de Joan e espiã.

A obra usa montagem alternada para encaixar os flashbacks gerados pelo interrogatório conduzido pelo MI5. Assim o filme gera ritmo para acompanharmos e entendermos a trama sem grandes dificuldades e de forma a compreender de maneira gradual como o passado de Joan afetou seu presente.

Esse passado envolve muito mais histórias de amor do que uma história de espionagem, já que Joan, apesar de ser acusada de ser “vermelha”, é uma mulher que perdeu tudo, em prol de tentar fazer algo para acabar com uma possível guerra, sendo esta Fria ou não.

O que faz a fotografia sóbria do filme ser curiosa, pois Joan é uma personagem “quente”, ativa e não reativa e mesmo assim, os tons dominantes são bege, cinza, preto e outras cores escuras. Isso só muda com a própria protagonista e Sonya, com seus figurinos claros e vivos, destoando-as dos outros membros do elenco.

A Espiã Vermelha
Imagem: Califórnia Filmes / DIVULGAÇÃO
Elenco que é competente dentro do que o roteiro propõe, principalmente Judi Dench e Sophie Cookson. A primeira não tem, ao menos nos últimos anos, performances no piloto automático, mesmo em filmes horríveis como “Philomena”, Dench convence dentro de seu papel e cria personagens que são interessantes e cativam o público.

Já Cookson, consegue criar a personalidade que Dench consolida, expondo suas motivações de forma bacana e ajudando o arco dos anos 2000 a se completar por si só, sem nenhum grande esforço do roteiro ou montagem. É através do desempenho de Cookson que percebemos como Joan foi acusada de espionagem não por ser comunista ou “vermelha” e sim por ter se envolvido com pessoas que de fato eram, ou seja, por ter feito o que quis fazer no momento que quis fazer, mas, que fique bem claro, ela foi uma espiã.

Assim, por trazer protagonismo feminino a um subgênero exclusivamente masculino, “A Espiã Vermelha” é um filme ousado, que se sustenta em um bom roteiro e na atuação de uma atriz veterana sempre agradável de ver na tela.

Veja o trailer, filme distribuído pela Califórnia Filmes:

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