3.6.19

Crítica: Santiago, Itália

Santiago, Itália
Imagem: Pandora Filmes / DIVULGAÇÃO
Se tem um lugar com história, principalmente na política, esse local é a América Latina. Países que foram colonizados, conquistaram independência e a maioria deles passou por um período ditatorial em algum momento.

O Chile foi um dos países que passaram por uma das ditaduras mais brutais do continente, "Santiago, Itália", dirigido pelo vencedor da Palma de Ouro em 2001 (com “O Quarto do Filho”), Nanni Moretti, é um documentário que conta a história de como a Itália ajudou refugiados chilenos nessa época.

Esse período começou em 1973 e se prolongou por mais de uma década, Moretti decidiu contar desde o momento no qual Salvador Allende foi derrubado, o que foi uma atitude acertada do diretor e roteirista.

Pois nem todos sabem como se deu a ditadura chilena, então, a metade inicial do filme serviu de contextualização e introdução a segunda metade, que é o ponto alto da projeção.

Usando de fontes variadas, inclusive militares que participaram da derrubada de Allende, Moretti faz o público desenvolver seu próprio ponto de vista, mesmo que ele favoreça, de forma discreta, aqueles que foram contra o ocorrido e assumiram uma posição de resistência.

Por isso que é na segunda metade que o filme cresce, pois vemos como a Itália assumiu um papel de abrigo para essa resistência, desde de usar a embaixada para abrigar refugiados, até ceder salvos condutos para que esses pudessem ir para viver no país.

Com os detalhes das histórias dessas pessoas, vemos como a empatia de fato foi aquilo que os salvou e Moretti explora isso muito bem, sendo o entrevistador e fazendo perguntas simples, deixando o relato das pessoas ser o motor do filme.

É assim que vemos como os que foram presos não culpam quem os denunciou e que aqueles fugiram, passaram a entender a Itália como a casa deles com o passar do tempo.

Como disse uma das entrevistadas, "o Chile foi uma madrasta má, a Itália foi uma mãe" e é inevitável que o público não faça paralelos com a atual crise de refugiados, que ao menos por enquanto, não encontrou a sua "mãe".

Apesar disso, talvez a contextualização realizada tivesse sido mais longa, mesmo que isso inevitavelmente acarretasse em um documentário maior, pois em certos momentos, o público pode ficar perdido com o uso de acontecimentos que não foram explicados.

Porém, Nanni Moretti quis contar uma história difícil, pelo principal ponto de vista possível, o das pessoas e é isso que faz "Santiago, Itália" um documentário que além de cumprir seu objetivo, serve como objeto de estudo de um período tenebroso de um dos países mais importantes da América do Sul.

Veja o trailer aqui, filme distribuído pela Pandora Filmes:

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