27.6.19

Crítica: Toy Story 4

Toy Story 4
Imagem: Disney / DIVULGAÇÃO
Sem dúvida, um dos grandes méritos de um filme é discutir assuntos, apresentar novos pontos de vista sobre algo, de forma que isso gere no público reflexões sobre algo que ele tem como certo em sua cabeça.

No caso das animações, isso é ainda mais difícil, já que, além de debater um assunto (quando se propõe a isso) precisa levar o tema utilizado para crianças, que são o público alvo desses filmes.

Assim, "Toy Story 4", consegue cumprir seu objetivo sem nem ao menos parecer que tentou, já que graças a seu roteiro, muito bem escrito por Rashida JonesAndrew StantonWill McCormack e Stephany Folsom tudo aquilo se torna natural.

E, convenhamos, a tarefa de Josh Cooley, diretor do filme, não era nem um pouco fácil, principalmente depois do final perfeito do filme passado. Aqui, acompanhamos, Woody, Buzz, Jessie e todos os seus amigos, dessa vez como brinquedos da adorável Bonnie.

No primeiro dia do jardim de infância, Bonnie não se deu nada bem na nova escola, para melhorar sua situação e com a ajuda de Woody, ela constrói Garfinho, um garfo de plástico que insiste em ir para o lixo.

Após viajarem e Garfinho sumir, Woody precisa pegá-lo e ao mesmo tempo em que faz isso, ele reencontra Betty, a boneca de porcelana que foi o seu amor durante os 2 primeiros filmes.

O novo Toy Story faz tudo aquilo que propõe muito bem e consegue traçar paralelos interessantes de forma leve, como a consciência que Woody diz ter, o que gera nos outros brinquedos a descoberta de suas vozes interiores e principalmente, o empoderamento feminino, através das personagens de Betty e de Gabby Gabby.

Mesmo que faça isso usando certos aspectos de tramas de outros filmes da franquia, principalmente o primeiro, já que traz a busca de um brinquedo por outro brinquedo, a descoberta do brinquedo do que ele é (como aquela fala de Woody no filme 1 "VOCÊ É UM BRINQUEDO").

O diferencial está nas personagens femininas, graças a Bonnie, Jessie é a sheriff e não Woody, Betty se torna uma guerrilheira que quebra todos os estereótipos do que seria uma boneca de porcelana e Gabby Gabby é uma vilã ótima.

Talvez por ser a primeira vilã que de fato entra no modus operandi de um brinquedo. Sid era uma criança má, o vilão do 2 é muito mais o tempo do que o Senhor Cabeça de Galinha, no 3, Lotso é um ditador, mas Gabby Gabby é apenas uma boneca antiga que deseja ser amada por uma criança e faz qualquer coisa para isso.

Ou seja, ela é mais humana do que muitos humanos e mostra como as pessoas não se dividem apenas em bons e maus, mas que há bondade e maldade dentro de todos nós, não importando qual deles predomina.

Ela também mostra como relacionamentos podem ser difíceis e que são inegavelmente complexos, assim como Betty e Woody, já que ela mudou por mais que ainda goste dele e ele estagnou. Não que a estagnação dele seja ruim, já que ela se deve a lealdade que ele tem por "sua criança", sentimento esse que vê em xeque, mas é devido a ela que ele não sabe lidar com a mudança de Betty, que foi necessária para que ela conseguisse sobreviver no mundo real.

Fechando o arco de Woody de forma bela, simples e condizente com o personagem leal e carinhoso que ele é, "Toy Story 4" emociona e repete o sentimento gerado pelo belo final do filme anterior.

Confesso que eu espero que de fato acabe por aqui, já que "ou você morre como herói, ou vive tempo o suficiente para se tornar vilão".

Não quero ver essa franquia se tornando banal.

Veja o trailer aqui:

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